Painel ArtZen Colorido

 

 

A primeira edição do SP+Zen acontece no dia 29 de agosto, das 10h às 13h, no Museu de Arte Moderna (MAM), e convida o público em geral para conhecer 15 histórias inspiradoras sobre a experiência de pessoas que aprenderam a transformar a maneira de se relacionar com a cidade.

A espiritualidade real e simples; como encontrar equilíbrio e qualidade de vida nas relações e interações no ambiente urbano são algumas das questões abordadas durante o evento, que contará com participação especial da Monja Coen, Marcia de Luca, Mirna Grzich, Robert Wong, Luc Bouveret, e Sri Prem Baba (em video) dentre outros palestrantes.

O SP+Zen é promovido pela Virada Zen e integra a programação da Virada Sustentável, que acontecerá de 26 a 30 de agosto, em toda a cidade de São Paulo.

 

Currículos dos Conselheiros

Monja Souza Coen  é presidente do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil e do ViaZen/VilaZen do Rio Grande do Sul. É conhecida por fazer palestras, participar de reuniões e diálogos inter-religiosos e promover projetos com objetivos ambientais e de paz.

Marcia de Luca  é especialista em Yoga, Meditação e Ayurveda há mais de 35 anos. Criou o programa Filosofia de Bem – Viver. Além de celebrar rituais é colunista da Revista de bordo da Gol, Cláudia e Yoga Journal. Como escritora Lançou os livros “A Idade do Poder”, “Ayurveda-Cultura de Bem- Viver”, Meditação, Ayurveda e Yoga pela editora Caras. ” Vamos brincar de Estátua” é seu novo lançamento que leva uma mensagem para pais e crianças. É uma das idealizadoras do Yoga pela Paz.

Mirna Grzich  é jornalista e terapeuta, referência em meditação no Brasil, Mirna Grzich criou o programa Música da Nova Era, em várias rádios brasileiras, escreveu Anjos, livro que vendeu 2 milhões de exemplares, editou a revista Meditação por 5 anos, e produziu centenas de CDs e coleções de meditação, que venderam mais de 100 mil cópias cada. É seguida por 400 mil pessoas no seu canal no youtube. Seu trabalho é apreciado, seguido e reconhecido por milhares de pessoas em todo Brasil. Sua voz tem o dom de tornar a meditação um caminho natural e encantador. Acabou de lançar o aplicativo de mindfulness Medita!

Robert Wong é Sócio-Presidente (CEO) da Robert Wong Participações, empresa voltada para Consultoria Executiva nas divisões de R4U – Headhunting e da R.S.V.P – Realizando Seu Verdadeiro Potencial, que introduz métodos únicos aliando teoria, prática e autoconhecimento, buscando motivar e inspirar as pessoas a fazer a diferença. Autor do Best Seller “O Sucesso Está no Equilíbrio” em sua 16ª Edição e do manual “Super Dicas para Conquistar um Ótimo Emprego”.

Fabio Novo é terapeuta, coach, autor, palestrante, facilitador de meditação e de processos de autoconhecimento. Formado em Psicossíntese, Yoga & Meditação e Coaching, é o sintetizador da HoloSíntese,  uma nova abordagem para o desenvolvimento humano integral. É o autor dos livros Holoplex, Hiper, AxisSonhos e 108 perguntas para responder antes de procurar um coach.É graduado em Administração de Empresas na FGV, com pós-graduação em Marketing e especialização em Novas Mídias, na New York University. Trabalhou por 15 anos como executivo em grandes corporações e foi diretor de Marketing da MTV Brasil, até passar por um período sabático e mudar radicalmente de profissão.

Luc Michael Bouveret  é um dos fundadores do centro de evolução de ser e movimento NEW WAYS. Terapeuta quântico, leitor de aura. Criou o curso semanal “BE ONE” e, junto com David Arzel e Maria Eugenia Anjos, o curso intensivo “Despertar da Alma”, ministrado no Brasil e na Europa. Palestrante, Graduado no Instituto Universitario de Technologia (IUT) de Paris (França) em gestão e administração de empresa. Graduado na Ecole Superieure de Commerce (ESG) de Paris Formações holisticas nas comunidade de Piracanga (Bahia-Brasil) e Findhorn (Escossa-Inglaterra) Escreveu o livro: “O Homem que deu a luz” Belaletra Editora ( previsão de lançamento dezembro 2015 ).

Lauro Henriques Jr. é escritor e jornalista, é autor dos três volumes da série Palavras de Poder, que reúne entrevistas com grandes mestres da atualidade no Brasil e no mundo.

Patricia Aguirre  é psicoterapeuta com experiência nas áreas: educacional, treinamento e desenvolvimento em empresas. Foi sócia dos empreendimentos: Spiro Livraria, MCD World Music e Intento Produções Culturais e de Desenvolvimento Pessoal. Instrutora de práticas corporais (Chi Kung, Yoga Taoista), introdutora no Brasil de Tensegridade de Carlos Castaneda, e instrutora do Being Energy (movimentos e práticas energéticas de C. Castaneda). Participante de movimentos ambientais de sustentabilidade (Gaia Education) e Projeto EcoBairro. Uma das Fundadoras e Coordenadora do Programa Intento/DFW Brasil e da UNISER (em desenvolvimento- Universidade Integral do Ser).

Clarissa Medeiros  é coach, autora e comunicadora, movida por empoderar pessoas para liderar mudanças com clareza de propósito, expressando suas forças e autêntico ser. Iniciada na milenar tradição de Kriya Yoga e dedicada às práticas de autoconhecimento há vinte anos, recebeu na Índia o nome iniciático “Jnaneshvari”, relativo a “fonte de sabedoria”. Especializada em Comunicação Social, certificada internacionalmente em Coaching, Empreendedorismo e Liderança, percorreu uma trajetória multidisciplinar em desenvolvimento humano, gestão sustentável e relações institucionais, atuando como consultora e executiva junto a organizações empresariais, sociais e públicas.

Jeanne Pilli é farmacêutica de formação e ainda trabalha como consultora na área de saúde. Começou a praticar Yoga e meditação há mais de 20 anos. É instrutora de Yoga formada pelo Professor Marcos Rojo. É aluna do Lama Padma Samten e facilitadora de práticas e de estudos no Centro de Estudos Budistas Bodisatva. Aluna do Professor Alan Wallace e instrutora certificada no Programa Cultivating Emotional Balance pelo Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, programa criado pelo Prof Alan Wallace e pelo Psicólogo Pau Ekman a pedido de Sua Santidade o Dalai Lama. Serve como intérprete a mestres budistas como o Prof Alan Wallace e Jetsunma Tenzin Palmo em suas visitas ao Brasil e é tradutora de livros desses mesmos mestres.

Beatriz Del Picchia é co-autora dos livros “O feminino e o sagrado – mulheres na jornada do herói” e de “Mulheres na jornada do herói – pequeno guia de viagem”, que trazem histórias de vida e depoimentos de brasileiras ligadas a várias tradições espirituais e de autoconhecimento. Com formação em Atenção e Praticas Meditativas na Associação Palas Athena e pós-graduação em Psicologia Junguiana, há mais de dez anos pesquisa questões do feminino e de espiritualidade, mitologia e contos de fadas aplicados à vida cotidiana.

Dani Leite é jornalista e editora da revista Yoga Journal Brasil. Dani Leite, sempre em busca de algo que a conecte à natureza, à alma humana e ao infinito! Publisher, colunista da Yoga Journal.

Maria Eugênia Anjos  é formada em anatomia do movimento pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de S. Paulo, Psicologia e Fisioterapia, além de ser Mestre em Reiki, formação em Danças Circulares, Frequência Vibratória Celular, Meditações e várias especializações em Técnicas Respiratórias. Diretora do Centro de Evolução do Ser Humano New Ways.

Luiz Pontes é terapeuta do som com especialização em musicoterapia e um estudioso de assuntos ligados à espiritualidade e ciência. Fundou o Centro para Cura das Atitudes no Brasil, e desde 2008 dedica-se a expandir de várias formas diferentes o som de instrumentos de quartzo, principalmente as tigelas de cristal, com foco na cura e no bem-estar.

Sérgio Gonzalez Santosh  é músico, designer gráfico e terapeuta corporal. Formado em Respiração Holotrópica® com o psiquiatra tcheco Stanislav Grof; recebeu as três iniciações da Kriya Yoga de Babaji a partir de 1998, onde foi batizado como Santosh.

 

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Pesquisadores ingleses realizarão um estudo com 7.000 adolescentes que durará 7 anos para avaliar o impacto da meditação da atenção plena na saúde emocional desses jovens.

Willem Kuyken, professor de psicologia clínica na Universidade de Oxford que está conduzindo o estudo, disse que a propagação da prática de meditação da atenção plena entre as crianças poderia fazer pela saúde mental da população britânica o mesmo que o flúor na água fez por seus dentes. Ele disse que escolheram os adolescentes como foco do estudo devido a evidências de que metade de todos os transtornos mentais começam antes dos 15 anos. O estudo pretende avaliar de a meditação é capaz de aumentar a resiliência a “uma vulnerabilidade fundamental” exibida pelos adolescentes: a dificuldade em manter a atenção frente a pensamentos e impulsos que podem se tornar esmagadores.

http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2015/jul/15/mindfulness-study-meditation-7000-teenagers-impact

 

As escolas existem para para exercitarmos nossas aptidões acadêmicas, mas quando se trata de emoções, temos que nos virar sozinhos.

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Conflitos internos muitas vezes atrapalham o desempenho escolar de muitos alunos. Então por que nós não os ajudamos a desenvolver a inteligência emocional junto com a acadêmica? Será que os dois não são igualmente importantes? Tenho certeza de que eu teria me beneficiado de uma aula que ensinasse os muitos fatores que afetam a nossa felicidade, ou contribuem para a nossa motivação (ou falta de), ou de técnicas que nos ajudassem a nos concentrarmos em sala de aula.

Isso melhoraria o desempenho geral dos alunos em todas as disciplinas, porque nossas emoções governam a nossa capacidade de aprender. Os alunos precisam de orientação para navegar suas mentes, que são complexas e muito difíceis. À medida que envelhecemos, nossa identidades se desenrolam diante de nós, e nós operamos nossas mentes incansavelmente, apenas para nos mantermos inteiros.

Mas, ultimamente, os alunos não têm tido tempo para perseguir suas próprias identidades, porque estão todos muito ocupados estudando para passar nas provas. Muitos de nós nos perdemos de quem somos ao longo do caminho e passamos o resto de nossas vidas tentando nos encontrar novamente.

Infelizmente, muitas escolas recusam a idéia de investir tempo e esforço em desenvolver a inteligência emocional de seus alunos.

Ninguém estuda nada sobre felicidade ou motivação, ou sobre como se concentrar em aula. Mas por quê? Estas são qualidades que esperamos ver em qualquer aluno – motivação e foco – e quando não vemos, nos aproximamos do aluno para saber qual é o problema. Como eles poderiam saber? Ninguém nunca os ensinou o que poderia contribuir para a sua falta de motivação ou sobre a dificuldade em se concentrar. Em vez disso, os diagnosticamos como “clinicamente desinteressados” na escola.

Nós culpamos os alunos. Mesmo que ninguém nunca tenha parado para ensinar a esses alunos os aspectos técnicos de suas mentes e de suas emoções. Esperamos que os alunos entendam suas emoções da mesma forma como nós esperamos que entendam matemática, ciências ou gramática – temas que passamos anos plantando em seus cérebros – mas não dedicamos sequer um pingo de educação para as emoções.

Quando perguntamos qual é o problema, eles não têm a menor ideia.

Como podemos esperar que essas crianças tenham as respostas? Esse trabalho é do educador. Mas como ninguém sabe o que está causando todas essas emoções perturbadoras, prescrevem drogas para silenciar as “distrações”, deixando-os confortavelmente entorpecidos.

Nós os tratamos com antidepressivos e estabilizadores de humor – tranquilizantes, essencialmente – e comprimidos destinados a ajudá-los a se concentrar e a melhorar o seu desempenho global. Estes medicamentos muitas vezes colocam a criança em risco, sem mencionar o custo. A indústria farmacêutica, como era de se esperar, está crescendo rapidamente. Nesse meio tempo, os níveis de depressão são sempre crescentes, as taxas de suicídio estão subindo rapidamente, a cada dia mais alunos são diagnosticados com TDAH e, então recebem Ritalina, a correção rápida, fácil e imediata.

Isto só trata os sintomas do problema. O TDAH é um efeito colateral da educação ineficaz. Mas em vez de reestruturarmos a educação de uma forma que funcione para os alunos, continuamos tentando desesperadamente espremê-los em moldes nos quais continuam não cabendo.

No modelo atual, a educação só se preocupa com o intelecto acadêmico, distanciando-nos de nossas próprias emoções nesse processo, apesar do fato de as emoções serem uma força constante, e muitas vezes a mais difícil de operar e entender. Existem métodos para fortalecer e exercitar nossa inteligência emocional, mas estes têm sido em grande parte deixados de fora da educação. Já foram considerados um desperdício de tempo. Mas pergunto o seguinte: qual é o sentido de ensinar alguma coisa aos alunos, se não os ensinarmos primeiro a compreenderem a si mesmos? Que benefício terá empurrar toda essa academia goela abaixo dos alunos, se não os ensinarmos a engolir e digerir tudo isso?

~ Dakota Snow, escritora

Tradução livre de Jeanne Pilli do original:
http://www.elephantjournal.com/2014/01/emotional-intelligence-what-we-really-need-to-be-teaching-in-school-dakota-snow/

 

O céu estava nublado naquela manhã, mas ocorria um caloroso reencontro entre Sua Santidade o Dalai Lama e seu velho amigo Paul Ekman. Acompanhado de sua filha Eve, de sua esposa Mary Ann Mason e de Eric Rodenback, Ekman veio para relatar o progresso na criação de um Mapa de Emoções. Sua Santidade iniciou a conversa:

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Sua Santidade o Dalai Lama e Paul Ekman

 

“Nosso foco deve ser todos os 7 bilhões de seres humanos que vivem hoje neste planeta, cada um deles querendo ter uma vida feliz. Estamos tentando fazer com que saibam que a felicidade não é totalmente dependente de dinheiro e de coisas materiais, mas sim de valores internos como a compaixão, sem que precisem ter uma crença religiosa. Estamos tentando adotar uma abordagem secular, que possa atingir todos os seres humanos.”

“Nesse esforço, eu valorizo especialmente os cientistas, porque eles tendem a ser movidos unicamente pela experiência e por evidências. Nós devemos fundamentar a promoção dos valores seculares na nossa experiência comum de termos nascido e de termos sido criados sob o abrigo do carinho dos nossos pais; no senso comum, tais como o de observar que as pessoas que facilmente cedem à raiva não são felizes; e em evidências científicas que revelam a importância de valores internos como a compaixão. Pode ser que você tenha embarcado sozinho nesse seu trabalho, mas agora há muitos outros que buscam isso também.”

Ekman respondeu: “Você me disse que precisávamos de um mapa das emoções e eu avaliei o trabalho de 250 cientistas que estudam as emoções. Identificamos cinco emoções fundamentais: prazer, raiva, medo, tristeza e aversão. Queremos mostrar como elas funcionam, como as emoções podem nos ajudar, mas também como podem nos trazer problemas.”

Ekman explicou que para este mapa das emoções, apresentado como um modelo de computador, as emoções foram identificadas da maneira como são geralmente definidas em inglês. Ele reconheceu que há emoções que não são nomeadas em Inglês como “schadenfreude” – ter prazer com o desconforto de alguém de quem não gostamos – e “naches“, termo em iídiche que se refere ao orgulho e a alegria que os pais sentem por seus filhos. Ele afirmou que em essa tarefa de delinear e esclarecer as emoções destrutivas e construtivas e as emoções associadas não havia sido tentada em lugar algum. Sua Santidade concordou que as emoções não surgem isoladamente, mas em relação a outras emoções.

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Paul Ekman e sua filha, Eve Ekman, explicam o Mapa das Emoções a Sua Santidade o Dalai Lama

 

Eve Ekman descreveu a linha do tempo empregada no mapa, que inclui a avaliação, os gatilhos emocionais e a maneira como reagimos a eles. Paul Ekman esclareceu que a consciência dos gatilhos emocionais não surge naturalmente, mas é uma habilidade que pode ser cultivada. Ele contou que um de seus gatilhos para irritação e raiva pode ser uma pessoa lhe dizendo o que ele deve fazer. É possível tomar consciência da faísca antes que ela se transforme em chamas. Essa consciência é algo que precisa ser desenvolvido. Sua Santidade concordou com este ponto, citando a observação de Shantideva de que precisamos lidar com a raiva quando ainda está na fase de frustração, e não depois de ter se incendiado.

Eve Ekman disse a Sua Santidade que é necessário saber como criar a calma, como alcançar a paz. As pessoas precisam saber que isso é importante. Paul Ekman sugeriu que há uma serenidade dinâmica que pode nos ajudar a mudar o que está acontecendo. Sua Santidade concordou que podemos nos irritar facilmente, mas que podemos aprender a lidar com isso. Podemos aprender a manter a calma diante de um desafio. Nós podemos, por assim dizer, tomar uma posição e manter a tranquilidade. Ele ressaltou que a inteligência humana nos permite avaliar os nossos interesses a curto e a longo prazos, o que neste caso é útil.

“As práticas indianas e budistas antigas, como por exemplo, concentrar a atenção na respiração, inspirar e expirar, cria uma pausa para a mente. No entanto, isso pode não ajudar muito se apenas uma das partes de uma discussão criar essa pausa. ”

Ekman respondeu que uma regra útil ao treinar crianças é dizer que durante um conflito, se uma das partes der uma pausa, ambas devem parar de discutir.

Quando a apresentação terminou, Sua Santidade elogiou o mapa de emoções como uma grande inovação.

“É maravilhoso e inteligente. O mapa nos permite compartilhar a compreensão de como as emoções destrutivas podem ser prejudiciais. ”

Paul Ekman perguntou Sua Santidade de onde veio a ideia de construir um mapa das emoções e Sua Santidade disse que quando se vai a algum lugar novo, um mapa ajuda a encontrar o caminho de volta. Esse mapa pode nos ajudar a explicar como as emoções construtivas são úteis e o quanto as emoções destrutivas podem trazer prejuízos.

O encontro terminou com uma breve síntese das pesquisas que a equipe ainda pretende fazer. Isso inclui incorporar o humor ao mapa e uma exploração da violência crônica envolvendo a análise do humor, da personalidade e da psicopatologia. Eles querem traduzir todo o projeto para o espanhol, que é a segunda língua falada nos Estados Unidos, e criar uma versão completa que pode ser consultada sem conexão à internet.

Após o almoço, Sua Santidade foi levado ao Rancho Las Lomas, no interior da Califórnia, região selvagem e aberta, a convite do Projeto Peak Mind para falar sobre meditação. Ele foi apresentado a um público atento de cerca de 400 pessoas pelo ator e ativista social Forest Whitaker, que primeiramente cantou “Parabéns pra Você” frente a um bolo de aniversário oferecido a Sua Santidade. Ele incluiu Sua Santidade entre aqueles que, como Martin Luther King Jr, Nelson Mandela e Madre Teresa, nos ajudam a compreender melhor que somos todos iguais.

Antes de convidar Sua Santidade para falar, o organizador Michael Trainer pediu ao músico Tim Fain para prestar um tributo a Sua Santidade com seu violino.

“Irmãos e irmãs”, disse Sua Santidade, “Estou realmente muito feliz por estar aqui. Nos últimos dias estive nas grandes cidades; aqui estamos em uma região bastante remota, entre árvores e uma vegetação que nos fazem sentir mais próximos da natureza. Em nossos grandes edifícios urbanos temos flores e árvores artificiais para nos sentirmos confortáveis, aqui elas são de verdade. Agradeço por seus bons votos para o meu aniversário, mas eu gosto de pensar que cada novo dia é como como um aniversário. É um dia em que celebramos com alegria, e isso é uma indicação de que o objetivo das nossas vidas é sermos felizes. Combinar a nossa inteligência com o calor humano pode ser útil e construtivo.

“Geralmente buscamos o prazer através da experiência sensorial, mas enquanto a experiência sensorial de paisagens e sons agradáveis é passageira ­– dura apenas o tempo em que o estímulo está presente – a nossa experiência mental permanece conosco 24 horas por dia. Quando a música de que gostamos para de tocar, nosso prazer passa a ser apenas uma memória. Já que temos este cérebro maravilhoso, precisamos prestar mais atenção à nossa experiência mental.”

Ele explicou que para treinar e acalmar a mente, podemos escolher um objeto para focar. Pode ser algo como uma flor, uma ideia atraente ou até mesmo a própria mente. Embora seja mais difícil, disse ele, é mais útil e mais eficaz meditar sobre a própria mente. Se aprendermos a nos desprender da atividade sensorial, poderemos vislumbrar uma espécie de ausência. Pode ser breve, mas poderá nos dar uma ideia da claridade da mente. Não é fácil desenvolver uma apreciação do que a mente realmente é, mas é possível. No entanto, isso leva tempo, algo que as pessoas modernas que querem ter tudo imediatamente podem achar difícil.

Sua Santidade também mencionou a meditação analítica – refletir sobre temas como a impermanência.

“As árvores se modificam ao longo das estações e, da mesma forma, tudo também se modifica. Nós podemos examinar e analisar esse fenômeno. Ganhamos compreensão ao ouvirmos sobre alguma coisa, pensando sobre ela até que ganhemos convicção e experiência. Acho que a meditação analítica pode ser útil em qualquer situação. A maioria dos problemas que enfrentamos derivam da nossa incapacidade de compreender a realidade. A meditação analítica nos permite corrigir isso.”

“Depois, vem a questão de desenvolvermos interesse pelos outros. Nós todos temos uma semente natural de afeto dentro de nós, plantada pelo carinho que recebemos de nossos pais. Nós podemos cultivá-la para que ela alcance, não apenas os nossos parentes próximos e amigos, como também todos os 7 bilhões de seres humanos. Os problemas surgem quando nos debruçamos sobre as diferenças que há entre nós, que têm uma importância secundária. Em vez disso, precisamos nos lembrar que nós, seres humanos, somos basicamente todos iguais. Se fizermos isso, reforçaremos a nossa preocupação com os outros e com este planeta, que é nossa única casa.”

Ele sugeriu meditarmos juntos durante cinco minutos, cultivando o cuidado com o outro, olhar para baixo, mas não necessariamente fechados. Ele recomendou também que iniciássemos acalmando a mente agitada, focando na respiração, observando o abdômen subindo e descendo.

Passados os cinco minutos, Sua Santidade ressaltou que “shamatha” ou meditação tranquilizadora, e “vipassana”, ou meditação do insight, são comumente encontrados em muitas tradições indianas. Ele disse que também ouviu dizer que essas práticas também podem ser encontradas entre os monges em partes remotas da Igreja Ortodoxa Grega.

Entre as questões da plateia, foi perguntado o que ele quer dizer quando fala de amor e ele mencionou a proximidade que sentimos um pelo outro. Ele traçou uma analogia com a maneira como as crianças brincam com outras de forma calorosa e aberta, sem nenhuma preocupação com a religião, a raça ou de onde a outra criança vêm. Ele observou que a educação moderna parece mudar isso.

Convidado a explicar como tomar decisões difíceis, Sua Santidade respondeu que é preciso usar a inteligência movida pelo calor humano. Agir por compaixão nos mantém honestos e verdadeiros. Quando questionado sobre como ele se sente sendo o foco da atenção de milhões de pessoas, ele explicou que sempre pensa em si mesmo como apenas um outro ser humano. Pensando dessa forma a respeito de si mesmo, ele se sente rodeado de amigos, relaxado e à vontade.

Sobre meditação, ele disse que por ter imenso efeito sobre nossas emoções destrutivas, essa prática pode transformar nossas vidas. Perguntado, se caso ele pudesse fazer um pedido, qual seria esse pedido, ele respondeu:

“Que o mundo possa ser feliz, que a humanidade possa ser feliz. E a chave para isso é aprender a lidar com as nossas emoções.”

Quando a sessão chegou ao fim, Aloe Blacc, músico e rapper cantou que o amor é a resposta. Michael Trainer agradeceu Sua Santidade novamente por sua presença e agradeceu a todos haviam contribuído para que o evento fosse possível. Sua Santidade encerrou observando que a mudança do mundo começa com os indivíduos, sem que seja necessário esperar por instruções da ONU ou da Casa Branca, e pediu a todos que pensassem novamente sobre tudo o que tinham ouvido.

Tradução livre de Jeanne Pilli
http://dalailama.com/news/post/1293-map-of-emotions-and-meditation-on-compassion

OFICINA CULTIVATING EMOTIONAL BALANCE

Brasília, 15 e 16 de agosto de 2015

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O Programa Cultivating Emotional Balance (CEB), desenvolvido pelo professor Alan Wallace e pelo psicólogo Paul Ekman, combina de forma precisa elementos das tradições contemplativas e da psicologia moderna, oferecendo técnicas e ferramentas para cultivarmos um bem-estar profundo, que chamamos de felicidade genuína.

O CEB se estrutura em torno de quatro inteligências que resultam em quatro equilíbrios:

Equilíbrio Conativo – refere-se discriminar intenções e desejos e alinhá-los ao cultivo do bem-estar de si mesmo e dos outros. Será que estamos utilizando o nosso tempo no que de fato nos conduz ao bem-estar? Nós temos clareza sobre o que, no longo prazo, nos trará a felicidade genuína?

Equilíbrio da Atenção – equivale a “afinar o instrumento” da nossa atenção para que possamos focar no que realmente importa. Como disse o pioneiro da psicologia ocidental, William James, “a cada momento, aquilo em que prestamos atenção é a realidade”. O que será que compõe a nossa realidade hoje? Como a desatenção afeta a nossa mente e as nossas relações?

Equilíbrio Cognitivo – a inteligência desenvolvida aqui é a de perceber da forma mais clara possível o que a realidade está nos apresentando. Será que vemos as pessoas e as situações, momento a momento, de forma clara, ou estamos sempre vendo apenas as nossas versões sobre a realidade?

Equilíbrio Afetivo – nosso bem-estar é diretamente influenciado pela qualidade das nossas relações e vice-versa. Que elementos do nosso mundo interno interferem na qualidade das nossas relações? Como podemos escolher melhor o olhar que ofereceremos ao outro?

Você pode encontrar mais informações sobre o CEB aqui.

Onde: CEBB Brasília (CLN 309, Bloco D, Sala 16 Subsolo)

Quando: 15 e 16 de agosto, sábado das 9h às 17h, domingo das 9h às 12h.

Contribuição sugerida: R$ 120

Sua inscrição, você faz clicando AQUI.

Cinco anos atrás, o escritor e diretor Pete Docter da Pixar chegou até nós para falar sobre uma idéia: um filme que iria retratar como as emoções funcionam dentro da cabeça de uma pessoa e, ao mesmo tempo, como moldam sua vida no relacionamento com outras pessoas. Ele queria mostrar como tudo isso opera na mente de uma menina de 11 anos de idade, atravessando tempos difíceis em sua vida.

Como cientistas que estudaram emoção durante décadas, recebemos a notícia com um enorme prazer. Acabamos trabalhando como consultores científicos para o filme “DivertidaMente” (“Inside Out”), lançado recentemente.

Nossas conversas com Docter e sua equipe foram quase sempre sobre a ciência relacionada às questões centrais do filme: como as emoções governam o fluxo de consciência? Como as emoções colorem nossas memórias do passado? Como é a vida emocional de uma menina de 11 anos de idade? (Estudos demonstraram que a experiência de emoções positivas começa a cair vertiginosamente em frequência e em intensidade nessa idade.)

“DivertidaMente” fala sobre como cinco emoções – que são cinco personagens do filme: Raiva, Nojo, Medo, Tristeza e Alegria – lutam pelo controle da mente de uma menina de 11 anos chamada Riley, durante uma tumultuosa mudança de Minnesota para San Francisco. (Sugerimos inicialmente que o filme incluísse toda a gama de emoções estudadas na ciência até o momento, mas Docter rejeitou essa ideia pela simples razão de que a história poderia ter apenas cinco ou seis personagens).

A personalidade de Riley é definida principalmente pela Alegria, e isso está de acordo com o que sabemos cientificamente. Os estudos demonstraram que nossas identidades são definidas por emoções específicas, que determinam a forma como percebemos o mundo, como nos expressamos e as respostas que provocamos nos outros.

Mas a verdadeira estrela do filme é a Tristeza, já que “DivertidaMente” é um filme sobre a perda e sobre o que as pessoas ganham quando são guiadas pela tristeza. Riley perde amigos e perde o seu lar quando se muda de Minnesota. Para complicar um pouco mais, ela está entrando na pré-adolescência, o que implica a perda da própria infância.

Nós discordamos de alguns detalhes de como a Tristeza foi retratada em “DivertidaMente”. A Tristeza é representada como um empecilho, um personagem lento que precisa ser literalmente arrastado pela Alegria na mente de Riley. Na verdade, os estudos demonstraram que a tristeza está associada a intensos estímulos fisiológicos, que ativam o corpo para que possa responder à perda. E no filme, a Tristeza é desajeitada e chata. Mais frequentemente, na vida real, a tristeza de uma pessoa atrai outras pessoas para oferecerem conforto e ajuda.

Discordâncias à parte, a personagem Tristeza dramatiza com sucesso duas idéias centrais da ciência da emoção.

Primeiro, as emoções organizam – em vez de atrapalharem – o pensamento racional. Tradicionalmente, na história do pensamento ocidental, a visão predominante tem sido de que as emoções são inimigas da racionalidade e que perturbam as relações sociais cooperativas.

Mas a verdade é que as emoções guiam nossas percepções do mundo, nossas memórias do passado e até os nossos julgamentos morais de certo e errado, geralmente no sentido de produzirem respostas eficazes para as situações de cada momento. Para exemplificar, alguns estudos constataram que a raiva dirigida ao que é injusto pode produzir ações para que as injustiças sejam remediadas.

Vemos isso em “DivertidaMente”. A Tristeza assume gradualmente o controle dos processos de pensamento de Riley sobre as mudanças que ela está sofrendo. Isso é mais evidente quando a Tristeza acrescenta tons de azul às memórias de Riley de sua vida em Minnesota. Estudos científicos demonstraram que as nossas emoções atuais moldam o que nos lembramos do passado. Esta é uma função vital da Tristeza no filme: ela orienta Riley a reconhecer as mudanças que ela está atravessando e aquilo que ela perdeu, o que prepara o terreno para que ela desenvolva novas facetas de sua identidade.

Em segundo lugar, as emoções organizam ­– em vez de atrapalharem – as nossas vidas sociais. Estudos demonstraram, por exemplo, que as emoções estruturam (e não apenas colorem) as mais variadas interações sociais como a ligação entre pais e filhos, conflitos entre irmãos, flertes entre jovens e negociações entre rivais.

Estudos também demonstraram que é a raiva (mais do que um sentido de identidade política) que move a coletividade a protestar e reparar injustiças sociais. A investigação conduzida por um dos nossos pesquisadores revelou que as expressões de vergonha levam outras pessoas a perdoarem ações que violaram as normas sociais.

Esse insight também é dramatizado no filme. Pode ser que você esteja inclinado a pensar na Tristeza como um estado caracterizado pela inércia e pela passividade, desprovida de qualquer ação intencional. Mas em “DivertidaMente”, bem como na vida real, a tristeza leva as pessoas a se unirem em resposta à perda. Vemos isso pela primeira vez durante uma explosão de raiva na mesa de jantar que faz com que Riley corra pelas escadas e se atire na cama sozinha no escuro, deixando seu pai sem saber o que fazer.

E quase no final do filme, é a Tristeza que leva Riley a se reaproximar de seus pais, incluindo formas de toque e sons emocionais chamados de “explosões vocais” – que têm sido estudadas por um pesquisador da nossa equipe – que expressam o profundo deleite do reencontro.

“DivertidaMente” oferece uma nova abordagem para a tristeza. A proposta central é: abrace a tristeza, deixe-a se manifestar, envolva-se pacientemente com as lutas emocionais de um pré-adolescente. A tristeza irá deixar claro aquilo que foi perdido (a infância) e impulsionará a família em direção àquilo que se ganha: as bases de novas identidades, para as crianças e para os pais.

Tradução livre de Jeanne Pilli do original:

http://www.nytimes.com/2015/07/05/opinion/sunday/the-science-of-inside-out.html?_r=2