Entrevista com Catherine Kerr

A Revista Tricyle publicou hoje uma longa entrevista com a neurocientista e pesquisadora das práticas meditativas, Catherine Kerr, em que ela se declara bastante preocupada com a publicação de um artigo sobre a prática de “mindfulness” em um site bastante popular. O artigo citava 20 benefícios da meditação: “reduzir a solidão”, “aumentar a massa cinzenta” , “ajudar a dormir” entre outros, e apresentava a meditação como uma espécie de elixir de ouro para a vida moderna. Kerr postou o artigo na sua página do Facebook. “Não que tudo isso seja grosseiramente impreciso”, ela escreveu em seu post. “É que os estudos apresentam só os resultados positivos.”

Catherine é Professora Assistente de Medicina e Medicina da Família da Universidade de Brown, dirige a área de neurociência translacional da Iniciativa Brown para Estudos Contemplativos e conduz um programa de pesquisa em mindfulness no Hospital Miriam de Providence. Ela não tem dúvidas do valor da prática de mindfulness; Kerr pessoalmente colheu enorme benefício do programa Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR) na batalha de duas décadas contra o câncer e, como pesquisadora, estudou os efeitos benéficos que o MBSR teve sobre outras pessoas. Mas como cientista comprometida com fatos, ela está preocupada. “Eu acho que todos nós precisaremos assumir a responsabilidade e fazer algo para que as notícias sejam um pouco mais equilibradas”.

 

Aqui estão alguns trechos da entrevista à Tricycle:

Quais são os mitos populares ou narrativas sobre mindfulness que os cientistas gostariam de corrigir?

Os cientistas são, em sua maior parte, cautelosos ao fazer afirmações sobre curas atribuídas à prática de mindfulness. A ciência não confirma isso. Os cientistas sabem, analisando as pesquisas, que nem todas as pessoas se beneficiam de terapias com mindfulness, mas isso é algo que o público leigo parece ter dificuldade para aceitar. As pessoas não devem tomar decisões clínicas apenas com base em estudos neurocientíficos, pois os tamanhos das amostras são muito pequenos. Para tomar uma decisão baseada em evidências, deve-se partir de uma análise completa das evidências, que inclui dados de ensaios clínicos. Os dados dos ensaios clínicos sobre mindfulness na depressão, por exemplo, não são muito contundentes. Os resultados não são realmente melhores do que os antidepressivos. Em geral, a magnitude dos benefícios de mindfulness não é muito maior do que outras coisas que as pessoas estão fazendo agora para ajudar a controlar distúrbios de estresse e humor. Então é preciso avaliar mindfulness no contexto de uma série de opções. Ao contrário de outras terapias, mindfulness pode ser auto-conduzido até um certo ponto – torna-se uma prática, em vez de uma modalidade terapêutica, da mesma forma que o exercício pode ser um treinamento ou uma prática. Mas mindfulness não funciona para todos e não é adequado para todos.

Outra história que se conta sobre o MBSR é que ele é derivado de uma prática de dois mil e quinhentos anos. É muito difícil avaliar ou dizer que essa afirmação é falsa, ou até mesmo descobrir o que isso significa. Acho que se dá um peso exagerado.

 

Você poderia dar um exemplo de um resultado científico que foi promovido em exagero pelos meios de comunicação?

Eu fui co-autora, em 2005, do artigo de Sara Lazar “Experiência de meditação está associada com aumento da espessura cortical.” É um artigo lindo, mas suas conclusões são preliminares.

 

Então como os leigos deveriam interpretar a pesquisa científica sobre meditação?

É justo dizer que há alguns indícios nos estudos sobre o cérebro de que a meditação pode ajudar a melhorar a função cerebral. Essa é uma afirmação baseada em evidências. O erro está em investir 100 por cento de certeza no resultado e não sustentar uma visão probabilística da verdade científica ou risco e benefício. Quando as pessoas tomam decisões para o seu próprio bem-estar, elas precisam ser capazes de manter essa incerteza em mente. E elas precisam entender que o contexto científico no qual estão tomando suas decisões poderá ser diferente daqui a cinco anos. Pessoalmente, eu realmente não tomo decisões sobre o que pratico com base nesses estudos com amostras pequenas, divulgados nos meios de comunicação. Muitos cientistas que estudam mindfulness ficam perplexos ao verem as pessoas tomando decisões com base nesses pequenos estudos neurocientíficos.

 

Que tipo de evidência seria adequado para avaliar o emprego de mindfulness como um recurso terapêutico?

A análise da experiência concreta que se tem ao fazer essas práticas deve ser muito mais central na discussão. “Isto é o que se sente ao seguir a respiração por 20 minutos. Você gostou? Como  se sentiu ao final do dia? ” Essas parecem ser as questões reais, e não “O que aconteceria se eu jogasse você em um scanner? “

 

Se mindfulness na verdade não resolve problemas como a depressão, como essa prática ajuda?

Eu fiz um estudo qualitativo dos participantes em um curso de MBSR e percebi que eles parecem seguir uma determinada trajetória. As pessoas chegam e realmente buscam alívio. Elas têm vários problemas e estão buscando ajuda; pensam que, talvez, este curso resolverá seus problemas. E então o instrutor, no primeiro dia, diz que não é nada disso; que nesse curso elas irão aprender a estar presentes em sua própria vida interior, incluindo a angústia e o sofrimento que estão tentando evitar. Lá pela quarta ou quinta semana, as pessoas realmente entendem. Elas têm praticado e o seu sofrimento não desapareceu, e há essa experiência profunda que as pessoas têm quando percebem que não se trata de apenas varrer o sofrimento. As pessoas sentem uma angústia generalizada, passam por ela e acabam saindo do outro lado. E aí percebem, “eu consigo enfrentar isto!”

Quando as pessoas que fazem propaganda da prática de mindfulness se concentram apenas em seus efeitos sobre os mecanismos cerebrais–  e eu digo isso como uma cientista que estuda o  cérebro – estão perdendo uma grande parte da história. Da mesma forma, quando os críticos budistas atacam a prática secular de mindfulness  por estarem preocupados com a possibilidade de o Darma ser corrompido, eles também estão perdendo algo importante. Ambos estão cegos a esta dimensão experiencial de como é para as pessoas com dor fazer um curso de MBSR: você está passando por um  processo muito complexo de querer alívio, descobrir que o curso não vai levar os seus problemas embora, e em seguida, enfrentar o seu problema de uma maneira nova. Esse processo diz respeito a aprender a tolerar a incerteza, que é o nosso problema existencial. Não temos certeza se estamos certos; não sabemos como as coisas vão acabar. Conviver com a incerteza é muito profundo! E o MBSR e suas variantes ajudam as pessoas nesse processo. Preocupa-me que a nossa tendência de analisar o mundo segundo abstrações concorrentes – o reducionismo científico de um lado e o purismo do Darma do outro – possam nos fazer perder esta mudança qualitativa difícil de enxergar, que pode ser a verdadeira fonte do poder da atenção.

A entrevista completa está aqui.

Alice Boyes

Sem dúvida você já ouviu dizer que meditar faz bem. No entanto, para muitas pessoas as descrições de meditação não são muito atraentes e parece ser uma coisa a mais para a qual você não tem tempo.

Aqui estão cinco dicas para quem está começando a meditar que ajudam a superar os problemas de (1) a falta de atrativo, e (2) parecer muito assustador.

1. Comece com 3-5 minutos (ou menos)

Alguns excelentes dados coletados de novos usuários do aplicativo *Lift goal-tracking app mostram que a maioria dos meditadores iniciantes começou com 3-5 minutos. Mesmo três minutos, pode parece um tempo enorme quando você começa a meditar; mas você pode começar com tempos até menores. Por exemplo, prestando atenção às sensações de três respirações completas.

Gráfico 1 – Quanto tempo os iniciantes meditam

Grafico 1 20mar

2. Entenda o quê a meditação pode fazer por você, se tem problemas com estresse, ansiedade, irritabilidade ou ruminação

A meditação é uma ótima maneira de aumentar a capacidade de resistência ao estresse. Se sofre de ansiedade, a meditação irá ajudar a reduzir a sua tendência geral de super excitação fisiológica e a acalmar o sistema nervoso.

Na minha prática de terapia, os clientes que mais consideram a meditação útil são geralmente as pessoas que são propensas à ruminação. Isso faz sentido, uma vez que a meditação é basicamente focar sua atenção em alguma sensação (por exemplo, as sensações de respiração) e trazer de volta sua atenção a este foco, quando percebe que se afastou para “avaliar” (por exemplo, “Estou respirando muito rápido ? “) ou para outro assunto (por exemplo,” Eu tenho tanta coisa para fazer amanhã”).

A meditação pode ajudar a lidar com a irritabilidade, em parte, porque o ajuda a aprender a reconhecer que está tendo pensamentos negativos antes que você os deixe escapar de uma forma que acaba por gerar mais estresse para você (por exemplo, picuinhas com seu parceiro que acabam gerando uma briga) .

3. Compreenda os princípios da meditação

Meditadores iniciantes geralmente acham que o objetivo da meditação é chegar ao ponto em que podem se concentrar sem se distrair.

Um objetivo mais útil é tornar-se consciente mais rapidamente de quando sua mente se distrai.

Tornar-se consciente do que você está pensando é a base do sucesso da Terapia Cognitiva. Você não será capaz de reestruturar seus pensamentos se não tiver inicialmente desenvolvido a capacidade de identificá-los.

Outra meta útil para novatos na meditação é a de ser capaz de redirecionar sua atenção de volta para seu foco, sem criticar a si mesmo.

4. Faça meditação do seu próprio jeito

A maioria dos meus clientes não gostam de mp3 para meditar. Eles acham que são muito “new age”.

Como caminhar ajuda as pessoas a se concentrar e reduz a distração, uma meditação que envolve caminhada pode ser um ótimo ponto para começar.

Kelly McGonigal sugere uma meditação caminhando de 10 minutos, começando com alguns minutos prestando atenção a (1) as sensações do seu corpo ao caminhar, (2) as sensações de sua respiração, (3) as sensações de ar ou vento em sua pele, (4) o que você pode ouvir, e (5) o que você pode ver.

A seguir  com 5 minutos de atenção aberta, onde se permite perceber e sentir tudo o que se apresentar à sua consciência. Não vá à procura de coisas para ouvir, ver, sentir etc. Basta observar o que quer que se apresente à sua consciência e deixar que seja naturalmente substituído por o que quer que surja na sequência, sempre que isso acontecer.

Durante esses momentos de  atenção aberta, se sua atenção derivar para pensamentos sobre o passado, o futuro ou avaliativos, volte o mais rápido possível a um dos pontos de foco para estabilizar a sua atenção.

Você pode adaptar estas instruções como quiser. Faça a sua própria prática. Você está no comando! Por exemplo, faça uma meditação caminhando em que você se concentra em um dos pontos de foco acima por 3 minutos e depois faça 3 minutos de atenção aberta.

5. Reduza o “tudo ou nada”

Realisticamente, há apenas uma pequena quantidade de pessoas que estará disposta a meditar de forma regular.

Outra abordagem é fazer a prática diária de meditação formais (como a meditação caminhando) por um período inicial, e então começar a incorporar a meditação em seu dia-a-dia de maneira informal.

Incorporar a meditação informal em seu dia pode incluir, por exemplo, prestar atenção às sensações de algumas respirações cada vez que for alternar tarefas.

Sustentar uma prática diária formal quando é iniciante (1) permite que você experimente diferentes tipos de meditação, (2) gera conforto e familiaridade suficientes com a meditação para que possa reiniciar a prática formal, caso esteja passando por uma fase de maior estresse ou ruminação, e (3) desenvolve compreensão suficiente sobre meditação para que possa desenvolver suas próprias idéias para práticas de meditação informais.

O gráfico abaixo (também de usuários do aplicativo *Lift goal-tracking app mostra que os meditadores iniciantes que praticaram durante 11 dias apresentaram mais de 90% de probabilidade de continuar. Perceba que a inclinação da curva começa a ficar mais plana em torno do dia 8. Cumprir a prática da meditação, pelo menos, por esse tempo é importante. Fazer um plano de 21 ou 30 dias de meditação é uma ótima maneira de começar.

Gráfico 2 – Probabilidade de continuidade da meditação

Gráfico 2 20mar

% de pessoas que seguem a meditação por mais um dia x sequência em dias

http://www.psychologytoday.com/blog/in-practice/201303/5-meditation-tips-beginners

Alice Boyes

Alice Boyes

Esta é uma linda representação do caminho de Shamatha, a meditação da quiescência ou calmo permanecer, amplamente utilizada em todas as tradições contemplativas.

O elefante aqui representa a mente, que antes do treinamento, está tomado por aflições, medos e expectativas, representados pela cor escura.

O praticante, representado aqui pelo monge, é quem vai treinar a mente. Com a atenção plena – representada pela corda – o praticante procura manter a mente focada no objeto de escolha, e com a vigilância – representada pelo gancho – o praticante monitora a qualidade do foco da atenção.

O macaco representa um dos desequilíbrios da atenção – a distração. Ele tenta arrastar o praticante para todos os objetos dos cinco sentidos – representados pelo tecido (tato), frutas (paladar), perfume (olfato), címbalos (audição) e espelho (visão).

O coelho representa aqui o outro tipo de desequilíbrio da atenção – o embotamento, que pode culminar na sonolência.

Ao longo do caminho, o entusiasmo e também o esforço necessários para a prática são representados pelo fogo.

Aos poucos, o praticante vai domando a mente, até que ao final, livre das distrações e da lassidão, completamente clara. No final do caminho, a concentração perfeita é atingida. O praticante voando representa o bem-estar físico; e o elefante voando representa o bem-estar mental. Montando o elefante, o praticante passeia por todo o arco-íris, empunhando a espada flamejante do perfeito discernimento.

anger887754

“Grande parte dos estudos da psicologia contemporânea demonstram que quando uma pessoa expressa raiva frequentemente, a expressão da raiva fica cada vez mais fácil. Expressar raiva se torna um hábito. Muitas pessoas assumem que dispõem de uma determinada quantidade de raiva e que não querem mantê-la dentro de si – querem expulsá-la, de alguma forma.

É como se a raiva fosse uma coisa sólida. Mas, na verdade, se observarmos com cuidado, descobrimos que a raiva não tem nenhuma solidez. Na realidade, a raiva é meramente uma resposta condicionada, que surge e se dissolve. Para nós, é crucial entendermos que quando nos identificamos com esses estados passageiros como se fossem sólidos e como se se fossem quem  realmente somos, permitimos que eles nos governem, e somos compelidos a agir de formas que prejudicam a nós mesmos e aos outros.”

~ Sharon Salzberg – Loving Kindness: The Revolutionary Art of Happiness

Um projeto de pesquisa da Universidade de Stanford explorou as principais diferenças entre a felicidade e o sentido. Embora sejam semelhantes, existem diferenças dramáticas – e não se deve subestimar o poder do significado. “A busca de sentido é uma parte fundamental daquilo que nos torna humanos”, concluíram os pesquisadores.

flower-offering

Embora a felicidade e a vida com sentido se sobreponham, são experiências muito diferentes, de acordo com a pesquisa de Stanford.

Em um estudo publicado no Journal of Positive Psychology, Jennifer Aaker, da Stanford Graduate School of Business, e pesquisadores associados, encontrou respostas sobre como as pessoas gastam seu tempo e que experiências eles cultivam.

“A vida feliz está mais relacionada a ser um tomador em vez de um doador, enquanto o significado está mais ligado a ser um doador em vez de um tomador”, disse Aaker.

Os pesquisadores entrevistaram 397 pessoas ao longo um mês, investigaram se as pessoas consideram que suas vidas eram significativas ou felizes, bem como suas escolhas, crenças e valores. Encontraram cinco principais diferenças entre significado e felicidade:

Conseguir o que você quer e precisa: Embora satisfazer desejos seja uma fonte de felicidade, não tem nada a ver com o senso de significado. Por exemplo, as pessoas saudáveis ​​são mais felizes do que as pessoas doentes, mas a vida de pessoas doentes não são desprovidas de sentido.

Passado, presente e futuro: A felicidade diz respeito ao presente, e o significado diz respeito a conectar o passado, o presente e o futuro. Quando as pessoas gastam tempo pensando sobre o futuro ou passado, mais significativas e menos felizes suas vidas se tornam. Por outro lado, as pessoas que pensam sobre o aqui e agora sentem-se mais felizes.

A vida social: Conexões com outras pessoas são importantes tanto para o sentido quanto para a felicidade. Mas a diferença está na natureza dessas relações. Relacionamentos profundos – como a família – aumentam o significado; passar tempo com os amigos pode aumentar a felicidade, mas teve pouco efeito sobre o significado. Passar tempo com os entes queridos envolve discutir problemas ou desafios, enquanto passar tempo com os amigos pode promover simplesmente sentimentos, sem muita responsabilidade.

Esforço e estresse: vidas altamente significativas enfrentam muitos eventos negativos e problemas, que podem resultar em infelicidade. Criar filhos pode ser uma alegria, mas também está ligado a um elevado nível de estresse – e significado – e nem sempre a felicidade. Embora pouco estresse pode fazer com que a pessoa se sinta mais feliz – como quando as pessoas se aposentam e não têm mais a pressão das demandas do trabalho -o senso de significado diminui.

Ego e identidade pessoal: Se a boa vida diz respeito a conseguir o que se quer, significado diz respeito à possibilidade de se auto-definir. Uma vida de significado é mais profundamente ligada a um propósito no contexto mais amplo da vida e da comunidade.

É possível se ter uma vida plena de significado, de sentido, porém infeliz, ao mesmo tempo.

Aaker aponta que este tipo de vida tem recebido menos atenção nos meios de comunicação, que recentemente têm se concentrado em como cultivar a boa vida. Exemplos de vidas altamente significativas, mas não necessariamente felizes, podem incluir enfermagem, serviço social ou até mesmo o ativismo.

Uma boa vida sem significado é caracterizada por ser relativamente superficial e muitas vezes auto-centrada, em que as coisas vão bem e as necessidades e desejos são facilmente satisfeitos.

E assim, a vida significativa orienta as ações do passado através do presente para o futuro, dando um senso de direção. Oferece formas de valorizar o que é bom e que é ruim, e nos dá justificativas para as nossas aspirações.

 

Tradução livre de Jeanne Pilli

50162

Quando era jovem e estava aprendendo a dirigir motocicleta, recebi uma instrução muito útil, da qual nunca mais esqueci:

“Quando estiver dirigindo uma moto, se você bater em qualquer coisa, você perde!”

Da mesma forma, se colidir com qualquer aspecto da verdadeira natureza da realidade, dando a ela concretude como os substancialistas ou considerando que nada existe de forma alguma como os niilistas, você perde!

~ Alan Wallace – “The Fine Path of Liberation” – Santa Barbara – Novembro/2012