TeachersO Instituto Garrison se parece um pouco com Hogwarts. O centro de retiro está alojado num antigo mosteiro, em meio a colinas verdes e tranquilas com vista para o Rio Hudson, 60 milhas ao norte da cidade de Nova York e a um mundo de distância dela.

Dentro de sua arejada capela, numa recente tarde de verão, cerca de 35 educadores dos EUA e pelo menos 5 de países estrangeiros, estavam sentados em silêncio, sem sapatos.

“Apenas observe sua respiração, a sensação do ar entrando e saindo” diz Christa Turksma, uma mulher holandesa vestida toda de branco com seu cabelo branco-prateado. Ela é uma das co-fundadoras da CARE – Cultivating Awareness and Resilience for Educators (Cultivando Atenção e Resiliência para Educadores, em português).

Nos últimos nove anos, neste retiro de verão anual de 5 dias, e agora dentro das escolas, a CARE para Professores ensina o que é chamado de mindfulness (atenção plena, em português): acalmar o corpo e a mente através da respiração e movimento, usando insights da psicologia para melhor regular as emoções.

Eles fazem uma série de atividades de role-playing para praticar as habilidades de escuta e condução de conversas difíceis com chefes, pares professores, pais ou alunos. É o primeiro programa de mindfulness a ser estudado com financiamento do Departamento de Educação dos EUA – e dirigido a professores, não diretamente a alunos.

Ensinar é uma atividade inerentemente estressante, e por muitas razões, está ficando cada vez mais. Estudantes trazem o efeito da pobreza e traumas para dentro da sala de aula. Administradores impõe uma pressão de atingir padrões em constante mudança. Nos últimos anos, a satisfação dos professores no emprego atingiu seu nível mais baixo em 25 anos, e o turnover é alto – quase 50% entre os novos professores.

Patricia Jennings não está aí para mudar todos esses índices. Ao invés disso, ela aspira ajudar professores a serem a mudança que eles gostariam de ver no mundo.

Jennings é a segunda co-fundadora do CARE (Richard Brown é o terceiro). Ela tem cabelos cinza cortados em linha reta na franja e um sorriso cândido. Jennings viveu uma infância difícil; ela ficou órfã aos 14 anos quando sua mãe cometeu suicídio.

Então, quando era uma estudante universitária no Arizona na década de 70, ela descobriu a meditação Zen. “Eu comecei a perceber que muito do sofrimento e da ansiedade que eu estava sentindo – que aqueles pensamentos não eram “eu”, ” ela diz. “Aquilo foi uma grande revelação, como oh, este sentimento de temor é um resultado dessa experiência, mas não é quem eu sou e eu posso deixar esses pensamentos simplesmente irem embora. ”

Jennings estudou no Instituto Budista Naropa (agora Universidade Naropa) em Boulder, Colorado. Ela se formou em psicologia e graduou-se também como professora, e então fundou uma escola Montessori onde ela ensinou meditação às crianças já desde 1980.

Em sala de aula, por mais de duas décadas, ela também usou técnicas momento-a-momento de mindfulness, seja para suavizar as transições entre atividades ou enquanto tentava descobrir o que se passava com um estudante aprontando para chamar atenção. Mais tarde, ela começou a ensinar os professores, e então se deu conta que outros professores também poderiam se beneficiar dessas ferramentas.

Jennings é agora professora associada de psicologia da Universidade da Virginia, de onde ela conduz pesquisas sobre o programa CARE para Professores.

Em um estudo prestes a ser publicado, Jennings e seus co-autores forneceram uma versão estendida do programa CARE para 224 professores em áreas de pobreza extrema da cidade de Nova York, com várias sessões de 2 dias espaçadas ao longo de um ano. Os participantes relataram que sua ansiedade, depressão, sentimento de exaustão, estresse e sensação de estar sempre apressado, todos diminuíram se comparados a um grupo de controle. Seu sono melhorou, e os professores afirmaram que se sentiram menos críticos.

Efeitos ainda mais interessantes vieram das observações em sala de aula. Quando os professores estavam mais presentes, a gritaria diminuiu, afirma Jennings. As salas de aula foram avaliadas como mais produtivas e emocionalmente mais positivas. Os estudantes estavam mais engajados.

Entre os estudantes que foram avaliados abaixo da média em habilidades sociais no início do estudo – presumidamente alguns dos mais vulneráveis – os indicadores também melhoraram. Mais uma vez, estes efeitos vieram do trabalho com os professores, não diretamente com os alunos.

Bonnie Kirkwood e Michele Coyle-Hughes trabalham numa escola pública no Bronx, a P.S. 279. Eles passaram o ano letivo que recém terminou ajudando a ensinar as técnicas do CARE a seus colegas.

Eles estão de volta ao retiro do CARE para Professores buscando encontrar formas de ampliar o alcance do programa ainda mais. “Eu lido com professores em crise, ” diz Coyle-Hughes. “Eu posso ver que eles precisam de mais ferramentas. ”

Cerca de um terço dos alunos desta escola de ensino fundamental moram em abrigos. Um grande percentual deles tem pais encarcerados ou que perderam a guarda dos filhos. A maioria ainda está aprendendo o idioma inglês, incluindo a população refugiada.

“Nossas crianças gravitam em torno do nosso prédio porque eles querem estrutura e rotina, ” diz Coyle-Hughes. Kirkwood, uma especialista em leitura. Ela afirma que as técnicas do CARE têm melhorado seu relacionamento com estudantes e colegas. “Estou aprendendo a dizer adeus e a Deus, ” ela diz.

(Ainda que as práticas ensinadas no CARE tenham raízes em muitas diferentes tradições, Jennings deixa bem claro que o programa é inteiramente secular e adequado para escolas públicas. Por exemplo, eles usam o termo “práticas de presença plena” no lugar de “meditação”.)

Assim como Coyle-Hughes e Kirkwood, Nicole Willheimer também concordou em ajudar a facilitar a formação de seus colegas, em outra escola pública do Bronx, a P.S. 140. Jennings e Turksma estão avaliando esta forma de expansão este ano, batizada de Coordenadores da CARE, com a ideia que estas técnicas vão ser melhor disseminadas se passadas de colega para colega, mais do que se forem impostas de cima para baixo pelos administradores.

Willheimer diz que o programa a ajudou a estar em melhor sintonia com seus alunos. Por exemplo, ao invés de aborrecer-se com o aluno que esteja batucando de leve na mesa, ela agora pode identificar se este garoto ou garota está fazendo isso numa tentativa de lidar com sua dificuldade em prestar atenção. E, tal qual outros professores, ela afirma que o CARE tem sido ainda mais útil para lidar com seus chefes, não apenas com os estudantes.

“Quando os administradores te chamam, você nunca sabe o que eles querem. Pode ser o caso de um pai aborrecido com você, ou que você se esqueceu de algo, ” ela diz. “Eu costumava ir correndo para as reuniões, encontrava um lugar rapidamente, e entrava de cabeça. Agora, eu pratico a atenção plena ao andar. Eu penso aonde estou indo. Quando eu chego, não estou acelerado. Eu sou capaz de receber críticas ou entrar em conversas sem que isso dispare um gatilho em mim. “

Durante o treinamento, os participantes do CARE conversam muito sobre “gatilhos”, “scripts” e sobre ser “reativo”. Experiências passadas podem moldar sua percepção sobre uma situação, e trazer emoções desproporcionalmente fortes ou inapropriadas. Se você adotar uma postura “reativa”, você sucumbirá a estas emoções, e seguirá o roteiro inconsciente da sua cabeça. Se você for “reflexivo”, você será capaz de pausar e fazer uma leitura mais acurada da situação.

Em uma das sessões, Jennings conta uma história recontada no seu livro “Mindfulness for Teachers”, sobre uma participante dos treinamentos anteriores do CARE. Ela se sentia imensamente incomodada com uma aluna de 7 anos que chegava atrasada todos os dias e atrapalhava a aula com suas risadas. Refletindo a respeito, a professora se lembrou que em sua família os atrasos eram severamente punidos. Ela se sentou para uma conversa com a menina e ficou sabendo que ela era filha de uma mãe solteira que trabalhava a noite, e a garotinha era responsável por se arrumar sozinha para ir à escola. E suas risadas não tinham a intenção de ser desrespeitosas, eram de constrangimento.

Depois de almoçar salada de beterraba, quinoa e folhas verdes, os professores se dispersaram para um exercício de caminhada e depois se agruparam em duplas para discussões. Aqui, em meio a flores silvestres e borboletas, é fácil sentir-se tranquilo.

Mas em poucas semanas um novo ano escolar terá início. “Eu posso sentir meu coração se acelerar quando penso que setembro (início do ano letivo nos EUA) está se aproximando, “ diz uma professora em uma sessão. “Em setembro, NÃO há espaço. Se você estivesse entrando numa escola no centro da cidade neste setembro, quais são as duas práticas da CARE que você traria consigo?” ela pergunta a Jennings.

Jennings responde que tem uma resposta empírica, com base em um estudo que sairá em breve, no qual a todos os professores foi perguntada a mesma questão. A resposta majoritária foi simplesmente parar, sempre que necessário, para respirar profundamente três vezes.

E a segunda resposta foi cultivar uma prática diária de respirações, caminhar praticando a atenção plena, fazer yoga e outras disciplinas de relaxamento. “Isto a ajudará a lembrar-se de fazer três respirações profundas sempre que você precisar! ”

 

Técnicas do CARE para aplicar em sala de aula

Atenção plena para estudantes e professores

·         1. Transições mais calmas

Quando for hora de ir para o recreio ou educação física, peça aos estudantes que façam três respirações profundas e então escutem o som de um sino. Diga a eles que escutem atentamente ao som, até que não seja mais possível ouvi-lo, antes de se levantarem.

·         2. Conte até 5

Sugestão de um participante do CARE. Para crianças muito pequenas ou inquietas demais para seguir a meditação normal. Sentados em silêncio, peça que notem 5 coisas que eles podem ver; então peça que fechem os olhos e contem 5 coisas que possam ouvir, em seguida, que notem 5 coisas que eles estiverem tocando.

·         3. Canto do silêncio ou cantinho da paz

Descrito no método Montessori e no programa de Resiliência Interna. Estabeleça um espaço na classe onde as crianças possam ir para lidar com emoções difíceis. Pode ter almofadas, bichinhos de pelúcia, livros calmos e sons suaves. Deve ser um lugar convidativo e não de punição.

·         4. Caminhar atento e centrado

Para professores, que estão quase sempre de pé: quando estiver em pé, concentrem-se na sensação de seu peso nos pés e a pressão dos pés sobre o chão. Quando estiverem caminhando, prestem atenção no peso do corpo passando de um pé ao outro.

 

Tradução livre de Daniela Degani do original
http://www.npr.org/sections/ed/2016/08/19/488866975/when-teachers-take-a-breath-students-can-bloom

 

 

A Comum está preparando um lindo encontro de imersão em Autocompaixão com a Caroline Bertolino. Vejam só que lindeza!

Sabemos ser ótimas amigas. Estamos disponíveis para ajudar, cuidar, abraçar e dar conselhos carinhosos para quem está ao nosso redor. Mas temos grande dificuldade em sermos gentis com a gente, com o nosso mundo interno, com a nossa realidade. Nos julgamos, nos chibatamos e nos culpamos com mais frequência do que nos aceitamos e acolhemos.

O mundo nos ensina, desde sempre, que precisamos ser eficientes, perfeitas, boas no que fazemos. Que precisamos atender à várias expectativas. Ser boas filhas, estudar e tirar as melhores notas na escola para entrar numa boa universidade, depois conseguir um emprego que permita conquistar uma série de coisas. Precisamos casar, ter filhos, ser mães incríveis. Precisamos cuidar da saúde, ter uma vida espiritual. Precisamos viajar e conhecer outros lugares, comprar um imóvel, trocar de carro periodicamente. E assim por diante, incessantemente.

Sempre tem algo a ser conquistado. Não somos ensinadas a estar satisfeitas com o que temos, a precisar de menos para ser felizes, a apreciar as nossas próprias qualidades.

Pelo contrário: somos incentivadas a buscar uma felicidade que parece estar sempre fora do nosso alcance e, pior ainda, aprendemos a nos enxergar por comparação com outras mulheres.

Nossa auto-imagem vai sendo construída a partir de referenciais externos: nos sentimos bem conosco se estamos melhores em comparação à algumas pessoas. Aprendemos a competir desde muito cedo e vamos flutuando nossa percepção de nós mesmas conforme esses referenciais que adotamos. E aí fica impossível.

Não tem como, por comparação, nos sentirmos bem o tempo todo. Vai sempre existir alguém que tenha algo que não temos – seja uma relação, seja um carro, status ou aparência. Nos sentimos inferiores, nos isolamos, nos sentimos inadequadas, e temos vergonha de falar sobre isso. Como se o problema fosse unicamente nosso, enquanto, na verdade, ele é compartilhado por outras tantas mulheres.

Veja mais sobre este assunto aqui.

Imersão: Autocompaixão em São Paulo

Uma imersão de dois dias (27 e 28 de agosto), em São Paulo, guiada pela Carol Bertolino e só pra mulheres. Aberta pra assinantes e não assinantes. Saiba mais e se inscreva aqui. 

 

child-740x357Crianças têm a reputação de serem irriquietas – e por uma boa razão. Não é nenhuma surpresa, então, que pais frequentemente busquem maneiras para acalmarem seus filhos.  Muitas vezes, isso significa suborná-los com lanches, brinquedos ou outros mimos (falo por experiência pessoal). Entretanto, há um método que nós geralmente ignoramos, mesmo que sua eficácia já tenha sido comprovada: a meditação. E, segundo especialistas, existem maneiras fáceis de ensiná-la às crianças.

“Em crianças, eu vejo a meditação ajudá-los a ser um pouco menos reativos e lidar melhor com o estresse em casa, na escola ou com os seus colegas” afirma Alison Pepper, assistente social e diretora do acampamento de verão do Centro de Meditação Shambhala na cidade de Nova York.

Talvez não pensemos nesta ferramenta como uma alternativa para tranquilizar as crianças porque nos parece coisa “new age” ou excêntrica demais para muitos de nós ocidentais, ainda que seja efetiva. A meditação tem sido praticada por milênios nas culturas orientais como uma forma de aprimorar a atenção. As pessoas a praticam sentando-se em silêncio no chão, observando sua respiração (inspiração, expiração, inspiração, expiração, etc.) por 30 minutos ou mais. Pesquisas mostram que a meditação ajuda a reduzir estresse, impulsividade e ansiedade em crianças, e pode até produzir alterações na estrutura cerebral que contribuem para o sucesso acadêmico. De fato, um estudo em São Francisco descobriu que a prática de meditação está associada a melhorias em notas nas provas de matemática e uma diminuição nas suspensões. Mas, deixando de lado os possíveis benefícios, se apenas a ideia de uma criança sentada imóvel por trinta minutos, prestando atenção em sua respiração como um Pequeno Buda te faz rir, não o faça ainda.
“Forçar alguém a sentar imóvel em silêncio não é o ponto, ” explica David Perrin, professor e mentor do Shambala. Como será a meditação depende de cada criança. Sejam elas cheias de energia ou mais reservadas, a chave é engajá-las de uma maneira que dialogue com seus interesses – e ajustar quando necessário.
“Crianças não precisam sentar de pernas cruzadas para praticar” diz Susan Kaiser Greenland, autora do livro The Mindful Child (que será em breve lançado em português) e co-fundadora do Inner Kids. “Elas podem praticar deitadas, de pé, sentadas em uma cadeira, e mais importante ainda, elas podem se mover.”

Que comecem os jogos

Uma maneira de ensinar meditação às crianças – mesmo sem que se perceba isso – é através do que a Susan chama de jogos de atenção plena. Esses jogos ajudam os pequenos a focarem nas experiências ao invés de pensamentos e emoções, que podem distrair ou mesmo serem demasiado intensos para a criança no momento.
Um exemplo é o jogo de desembrulhar. Ela recomenda que pais deem a seus filhos um pequeno chocolate embrulhado, como um Hershey´s Kiss, e encorajá-los a sentirem-no em suas mãos, desembrulhando-o bem lentamente, prestando atenção aos sons que o invólucro faz ao ser tirado do chocolate. Em seguida, os pais devem pedir a seus filhos que cheirem o chocolate – e pergunta-los se isso lhes deu água na boa – e então, finalmente, pedir que provem o doce. Com jogos como esse – que dificilmente tomam muito tempo – as crianças praticam a introspecção, usando suas mentes para tornarem-se familiares com seus corpos, sentidos e padrões de pensamentos e emoções.
Greenland recomenda outro jogo, particularmente útil antes das sonecas ou à noite na hora de dormir. Ela instrui os pais a colocar um bicho de pelúcia na barriga dos filhos e incentivar as crianças a “ninar” seus bichinhos com o movimento para cima e para baixo de suas barrigas provocado pela respiração.
Tal qual o exemplo do chocolate, ninar o ursinho dá à criança uma experiência sensorial, ajudando-a a atrair sua atenção para longe dos pensamentos acelerados e concentrar-se em relaxar. “Eles irão relaxando à medida que respiram suavemente e acompanham o bichinho mover para cima e para baixo,” diz Greenland.
Praticar a presença com crianças pequenas não precisa ser algo demorado ou complexo. “Comece praticando por curtos períodos de tempo, várias vezes ao longo do dia. Para crianças, isso significa um ou dois minutos,” explica Greenland.

Fazendo um teste

Como mãe de uma menina de 4 anos que, literalmente, não para quieta nunca, eu nunca considerei a meditação como um caminho para a calma. Mas fiquei intrigada; decidi então usar minha filha cheia de energia como cobaia. Após seu banho noturno, deitei-a com seu elefante de pelúcia sobre sua barriga e disse a ela que o ninasse com sua respiração. Ela me perguntou o porquê. Respondi que as respirações profundas a ajudariam quando a agitação chegasse. Depois de um ou dois minutos, seu corpo estava visivelmente relaxado e sua respiração mais profunda. Ela estava calma (uma raridade).
Perguntei como ela estava se sentindo. Ela me disse que se sentia bem. Quis saber sobre o que ela estava pensando enquanto movia o elefante para cima e para baixo.
“Nada, ” ela respondeu. “Apenas estava fazendo meu elefante dormir.”
Em dois minutos, minha agitada filha havia aprendido a arte de acalmar-se.
Tradução livre de Daniela Degani, do original:
http://vanwinkles.com/how-to-teach-your-kids-mindfulness-meditation

Vejam que tocante!

Os pesquisadores de Harvard acompanharam bem de perto a vida de 724 homens durante 75 anos – o mais longo estudo longitudinal já realizado – procurando compreender o que faz com que as pessoas sejam felizes. Apenas 60 desses homens ainda estão vivos. Robert Waldinger, que apresenta o estudo nesse vídeo já é o quarto pesquisador responsável. E o estudo segue…

Espero que você tenha tempo para ver o vídeo inteiro (é curto… pouco mais de 12 minutos), mas não posso deixar de reproduzir aqui a citação de Mark Twain que Waldinger faz ao final:

“Não há tempo, tão curta é a vida,
para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações.
Só há tempo para amar,
e mesmo para isso, é só um instante.”

Que a gente nunca se perca do amor!

  • se preferir, acione a legenda em português no primeiro quadradinho branco abaixo e à direita da tela

Como cultivar as Inteligências do Coração

Sukha Coração

As práticas de treinamento da mente baseadas na quietude e no silêncio de corpo, fala e mente são fundamentais – elas tranquilizam a nossa mente e nos ajudam a reduzir a responsividade frente aos variados estímulos.

Mas que outras qualidades poderíamos cultivar ativamente para pacificarmos e melhorarmos todas as nossas relações – com nós mesmos, com o outro e com o ambiente? Que inteligências podemos acessar e colocar a serviço de um bem-estar mais profundo, da felicidade genuína, nossa e dos outros?

Esta Oficina se baseia no Programa “Cultivating Emotional Balance

Quando?

Sábado 23/julho – das 9h00 às 17h00
Domingo 24/julho – das 9h00 às 12h30

Onde?

No Espaço, casa que tem nos recebido amorosamente para os encontros do Program “Cultivating Emotional Balance”.
Fica na Rua Alves Guimarães, 1374, pertinho do metrô Sumaré.

Como fazer a inscrição?

Como o nosso tempo sempre é curto e conseguimos oferecer menos edições do curso do que gostaríamos, as vagas se esgotam rapidamente. Pedimos então que, antes de fazer a inscrição, tenha em mãos o comprovante do pagamento. Só assim a inscrição é efetivada.

O valor a ser pago pela Oficina é de R$ 250,00 e você poderá fazer o pagamento pelo PayPal em até 4x.

Faça sua inscrição aqui.

 

Quem será a instrutora?

Jeanne Pilli

Jeanne Trad

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Há muito é sabido que a meditação ajuda crianças a sentirem-se mais calmas, mas uma nova pesquisa está ajudando a quantificar seus benefícios para crianças em idade escolar. Um estudo de 2015 concluiu que estudantes do quarto e quinto anos do ensino fundamental que participaram de um programa de 4 semanas de meditação apresentaram melhoras em funções executivas tais como controle cognitivo, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva – e notas mais altas em matemática. Um estudo publicado recentemente na revista Mindfulness encontrou melhorias similares nas notas de matemática de estudantes do quinto ano com déficit de atenção ou hiperatividade. E ainda uma pesquisa com crianças do ensino fundamental da Coreia mostrou que oito semanas de meditação diminuiu agressividade, ansiedade social e reduziu os níveis de stress.

Estas investigações, juntamente com a revisão publicada em março que investigou literaturas da psicologia do desenvolvimento e da neurociência cognitiva, ilustram como as práticas meditativas têm o potencial de realmente alterar a estrutura e as funções do cérebro de forma a promover o sucesso acadêmico.

Os princípios fundamentais da neurociência sugerem que a meditação pode ter seu maior impacto na capacidade cognitiva enquanto o cérebro está em seus primeiros estágios de desenvolvimento.

Isto se dá porque o cérebro desenvolve conexões nos circuitos pré-frontais em ritmo mais acelerado durante a infância. É exatamente esta “extra-plasticidade” que cria as condições para que a meditação tenha seu maior impacto nas funções executivas das crianças.

Ainda que a meditação apresente maiores benefícios em termos de redução de stress ou rejuvenescimento físico nos adultos, seus efeitos duradouros em atenção sustentada ou controle cognitivo são significativos em adultos, mas menos robustos que em crianças.

Um estudo clínico publicado em 2011 no The Journal of Child and Family Studies demonstrou este conceito de maneira soberba. O desenho da pesquisa permitiu que adultos e crianças fossem comparados diretamente, uma vez que estiveram envolvidos no mesmo programa de meditação e foram avaliados de maneira idêntica. Crianças entre 8 e 12 anos com diagnósticos de transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade, juntamente com seus pais, participaram de um programa de treinamento de oito semanas em mindfulness. Resultados mostraram que a meditação melhorou significativamente a atenção e o controle dos impulsos em ambos grupos, mas as melhorias foram consideravelmente mais robustas nas crianças.

Fora do laboratório, muitos pais reportaram benefícios da meditação em crianças. Heather Maurer da cidade de Vienna na Virgínia (EUA), foi treinada em meditação transcendental e conduz três noites por semana sua filha Daisy, de 9 anos, em várias técnicas de visualização e exercícios com foco na respiração. Ela diz que sua filha se tornou claramente melhor em controlar suas emoções, um sinal de evolução no controle cognitivo. “Quando Daisy está chateada, ela se senta e se concentra em sua respiração até reencontrar seu equilíbrio, ” diz Maurer.

Amanda Simmons, uma mãe que coordena um estúdio de meditação em Los Angeles, tem notado melhorias similares em seu filho Jacob, de 11 anos, diagnosticado no espectro do autismo. Jacob ainda tem transtorno de déficit de atenção e transtorno bipolar, mas Amanda diz que muitos dos sintomas tem diminuído desde que ele começou a meditar diariamente e recitar mantras há seis meses atrás. “A meditação parece funcionar como um reboot de seu cérebro, que quase instantaneamente altera o humor e ameniza a irritação, ” diz Amanda. Ela acredita que isso permitiu diminuir a dose do Risperdal®, um antipsicótico usado no tratamento do transtorno bipolar.

Estando a criança sob medicação ou não, a meditação pode ajudar a inculcar, ao longo do tempo, o auto controle e capacidade de foco.  Talvez encorajar a meditação e práticas de mente-corpo venha a ser reconhecido como tão essencial para uma boa criação como ensinar aos filhos o valor do trabalho, de uma alimentação saudável e da prática de exercícios físicos regulares.

Tradução livre de Daniela Degani do artigo original publicado no dia 10/maio de 2016 no blog do The New York Times:
Dani
A Dani é mãe do Enzo (11) da Analía (7) e do Caio (11 meses). Gosta de inventar para eles historinhas que falem de generosidade, amor e compaixão. Como praticante budista, está envolvida no projeto da Sanga do Pequeno Buda do CEBB SP e é apaixonada por regar as sementes do darma no coração das crianças. Gostaria que todas as crianças pudessem encontrar em seus corações o silêncio e a tranquilidade para lidar melhor com emoções e situações da vida. Ajuda a enriquecer o conteúdo deste blog com temas relacionados às crianças.