Como cultivar as Inteligências do Coração

Sukha Coração

As práticas de treinamento da mente baseadas na quietude e no silêncio de corpo, fala e mente são fundamentais – elas tranquilizam a nossa mente e nos ajudam a reduzir a responsividade frente aos variados estímulos.

Mas que outras qualidades poderíamos cultivar ativamente para pacificarmos e melhorarmos todas as nossas relações – com nós mesmos, com o outro e com o ambiente? Que inteligências podemos acessar e colocar a serviço de um bem-estar mais profundo, da felicidade genuína, nossa e dos outros?

Esta Oficina se baseia no Programa “Cultivating Emotional Balance

Quando?

Sábado 23/julho – das 9h00 às 17h00
Domingo 24/julho – das 9h00 às 12h30

Onde?

No Espaço, casa que tem nos recebido amorosamente para os encontros do Program “Cultivating Emotional Balance”.
Fica na Rua Alves Guimarães, 1374, pertinho do metrô Sumaré.

Como fazer a inscrição?

Como o nosso tempo sempre é curto e conseguimos oferecer menos edições do curso do que gostaríamos, as vagas se esgotam rapidamente. Pedimos então que, antes de fazer a inscrição, tenha em mãos o comprovante do pagamento. Só assim a inscrição é efetivada.

O valor a ser pago pela Oficina é de R$ 250,00 e você poderá fazer o pagamento pelo PayPal em até 4x.

Faça sua inscrição aqui.

 

Quem será a instrutora?

Jeanne Pilli

Jeanne Trad

Vejam que tocante!

Os pesquisadores de Harvard acompanharam bem de perto a vida de 724 homens durante 75 anos – o mais longo estudo longitudinal já realizado – procurando compreender o que faz com que as pessoas sejam felizes. Apenas 60 desses homens ainda estão vivos. Robert Waldinger, que apresenta o estudo nesse vídeo já é o quarto pesquisador responsável. E o estudo segue…

Espero que você tenha tempo para ver o vídeo inteiro (é curto… pouco mais de 12 minutos), mas não posso deixar de reproduzir aqui a citação de Mark Twain que Waldinger faz ao final:

“Não há tempo, tão curta é a vida,
para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações.
Só há tempo para amar,
e mesmo para isso, é só um instante.”

Que a gente nunca se perca do amor!

  • se preferir, acione a legenda em português no primeiro quadradinho branco abaixo e à direita da tela

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Há muito é sabido que a meditação ajuda crianças a sentirem-se mais calmas, mas uma nova pesquisa está ajudando a quantificar seus benefícios para crianças em idade escolar. Um estudo de 2015 concluiu que estudantes do quarto e quinto anos do ensino fundamental que participaram de um programa de 4 semanas de meditação apresentaram melhoras em funções executivas tais como controle cognitivo, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva – e notas mais altas em matemática. Um estudo publicado recentemente na revista Mindfulness encontrou melhorias similares nas notas de matemática de estudantes do quinto ano com déficit de atenção ou hiperatividade. E ainda uma pesquisa com crianças do ensino fundamental da Coreia mostrou que oito semanas de meditação diminuiu agressividade, ansiedade social e reduziu os níveis de stress.

Estas investigações, juntamente com a revisão publicada em março que investigou literaturas da psicologia do desenvolvimento e da neurociência cognitiva, ilustram como as práticas meditativas têm o potencial de realmente alterar a estrutura e as funções do cérebro de forma a promover o sucesso acadêmico.

Os princípios fundamentais da neurociência sugerem que a meditação pode ter seu maior impacto na capacidade cognitiva enquanto o cérebro está em seus primeiros estágios de desenvolvimento.

Isto se dá porque o cérebro desenvolve conexões nos circuitos pré-frontais em ritmo mais acelerado durante a infância. É exatamente esta “extra-plasticidade” que cria as condições para que a meditação tenha seu maior impacto nas funções executivas das crianças.

Ainda que a meditação apresente maiores benefícios em termos de redução de stress ou rejuvenescimento físico nos adultos, seus efeitos duradouros em atenção sustentada ou controle cognitivo são significativos em adultos, mas menos robustos que em crianças.

Um estudo clínico publicado em 2011 no The Journal of Child and Family Studies demonstrou este conceito de maneira soberba. O desenho da pesquisa permitiu que adultos e crianças fossem comparados diretamente, uma vez que estiveram envolvidos no mesmo programa de meditação e foram avaliados de maneira idêntica. Crianças entre 8 e 12 anos com diagnósticos de transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade, juntamente com seus pais, participaram de um programa de treinamento de oito semanas em mindfulness. Resultados mostraram que a meditação melhorou significativamente a atenção e o controle dos impulsos em ambos grupos, mas as melhorias foram consideravelmente mais robustas nas crianças.

Fora do laboratório, muitos pais reportaram benefícios da meditação em crianças. Heather Maurer da cidade de Vienna na Virgínia (EUA), foi treinada em meditação transcendental e conduz três noites por semana sua filha Daisy, de 9 anos, em várias técnicas de visualização e exercícios com foco na respiração. Ela diz que sua filha se tornou claramente melhor em controlar suas emoções, um sinal de evolução no controle cognitivo. “Quando Daisy está chateada, ela se senta e se concentra em sua respiração até reencontrar seu equilíbrio, ” diz Maurer.

Amanda Simmons, uma mãe que coordena um estúdio de meditação em Los Angeles, tem notado melhorias similares em seu filho Jacob, de 11 anos, diagnosticado no espectro do autismo. Jacob ainda tem transtorno de déficit de atenção e transtorno bipolar, mas Amanda diz que muitos dos sintomas tem diminuído desde que ele começou a meditar diariamente e recitar mantras há seis meses atrás. “A meditação parece funcionar como um reboot de seu cérebro, que quase instantaneamente altera o humor e ameniza a irritação, ” diz Amanda. Ela acredita que isso permitiu diminuir a dose do Risperdal®, um antipsicótico usado no tratamento do transtorno bipolar.

Estando a criança sob medicação ou não, a meditação pode ajudar a inculcar, ao longo do tempo, o auto controle e capacidade de foco.  Talvez encorajar a meditação e práticas de mente-corpo venha a ser reconhecido como tão essencial para uma boa criação como ensinar aos filhos o valor do trabalho, de uma alimentação saudável e da prática de exercícios físicos regulares.

Tradução livre de Daniela Degani do artigo original publicado no dia 10/maio de 2016 no blog do The New York Times:
Dani
A Dani é mãe do Enzo (11) da Analía (7) e do Caio (11 meses). Gosta de inventar para eles historinhas que falem de generosidade, amor e compaixão. Como praticante budista, está envolvida no projeto da Sanga do Pequeno Buda do CEBB SP e é apaixonada por regar as sementes do darma no coração das crianças. Gostaria que todas as crianças pudessem encontrar em seus corações o silêncio e a tranquilidade para lidar melhor com emoções e situações da vida. Ajuda a enriquecer o conteúdo deste blog com temas relacionados às crianças.

Curso Completo
Cultivating Emotional Balance
INSCRIÇÕES ENCERRADAS

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SUKHA Esta palavra precisa entrar no nosso vocabulário. É uma palavra sânscrita que significa “felicidade genuína”, ou como o Professor Alan Wallace prefere – “florescer humano”. O objetivo deste programa – Cultivating emotional Balance (CEB) – ou “Cultivando o Equilíbrio Emocional” é nos oferecer ferramentas para que possamos florescer, para que possamos cultivar a felicidade genuína – essa que brota do que oferecemos ao mundo, daquilo que cultivamos e que conseguimos trazer para compor a nossa experiência.

O CEB foi elaborado por Paul Ekman e Alan Wallace atendendo a um pedido do Dalai Lama – como ajudar as pessoas a lidarem com emoções tão potencialmente destrutivas como a raiva? Mas, a partir desse pedido inicial, o escopo e os objetivos se ampliaram. O programa combina de uma forma muito elegante as várias técnicas contemplativas tradicionais e elementos da psicologia moderna, lançando luz sobre diversos aspectos da nossa saúde emocional. Quem neste nosso mundo moderno não se beneficiaria disso? Leia mais aqui sobre o CEB.

O curso é apresentado em diversos formatos com duração total de 42 horas para podermos experimentar as práticas e a aplicação do conteúdo todo na nossa vida diária. Porque, afinal, é isso que importa, não é mesmo?

O CEB se estrutura em torno de quatro inteligências que resultam em quatro equilíbrios:

Equilíbrio Conativo – refere-se discriminar intenções e desejos e alinhá-los ao cultivo do bem-estar de si mesmo e dos outros. Será que estamos utilizando o nosso tempo no que de fato nos conduz ao bem-estar? Nós temos clareza sobre o que, no longo prazo, nos trará a felicidade genuína?

Equilíbrio da Atenção – equivale a “afinar o instrumento” da nossa atenção para que possamos focar no que realmente importa. Como disse o pioneiro da psicologia ocidental, William James, “a cada momento, aquilo em que prestamos atenção é a realidade”. O que será que compõe a nossa realidade hoje? Como a desatenção afeta a nossa mente e as nossas relações?

Equilíbrio Cognitivo – a inteligência desenvolvida aqui é a de perceber da forma mais clara possível o que a realidade está nos apresentando. Será que vemos as pessoas e as situações, momento a momento, de forma clara, ou estamos sempre vendo apenas as nossas versões sobre a realidade?

Equilíbrio Afetivo – nosso bem-estar é diretamente influenciado pela qualidade das nossas relações e vice-versa. Que elementos do nosso mundo interno interferem na qualidade das nossas relações? Como podemos escolher melhor o olhar que ofereceremos ao outro?

Com muita alegria, informo que reservamos os seguintes dias para oferecer o curso em São Paulo:
25 e 26 de junho, 16 e 17 de julho, 6 e 7 de agosto e 27 e 28 de agosto.
Em todos esses finais de semana, estaremos juntos nos sábados das 9h00 às 17h30 e aos domingos das 9h00 às 13h00.
Atenção: o curso completo compreende todos esses finais de semana! São 42 horas no total.

Os encontros serão sempre no Espaço, pessoas que sempre nos acolheram com muito amor.
Fica na Rua Alves Guimarães, 1374, pertinho do metrô Sumaré.

 

Como você faz para se inscrever?

Como o nosso tempo sempre é curto e conseguimos oferecer menos edições do curso do que gostaríamos, as vagas se esgotam rapidamente. Pedimos então que, antes de fazer a inscrição, tenha em mãos o comprovante do pagamento. Só assim a inscrição é efetivada.

O curso custa R$ 1.400,00 e você poderá fazer o pagamento pelo PayPal em até 4x.

Faça sua inscrição aqui.

Quem serão as instrutoras?

 

PALESTRA E OFICINA CULTIVATING EMOTIONAL BALANCE

Recife, 20 a 22 de maio de 2016

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O Programa Cultivating Emotional Balance, desenvolvido pelo Prof Alan Wallace e pelo psicólogo Paul Ekman, combina de de forma precisa elementos das tradições contemplativas e da psicologia moderna, oferecendo técnicas e ferramentas para cultivarmos um bem-estar profundo, que chamamos de felicidade genuína.

O CEB se estrutura em torno de quatro inteligências que resultam em quatro equilíbrios:

Equilíbrio Conativo – refere-se discriminar intenções e desejos e alinhá-los ao cultivo do bem-estar de si mesmo e dos outros. Será que estamos utilizando o nosso tempo no que de fato nos conduz ao bem-estar? Nós temos clareza sobre o que, no longo prazo, nos trará a felicidade genuína?

Equilíbrio da Atenção – equivale a “afinar o instrumento” da nossa atenção para que possamos focar no que realmente importa. Como disse o pioneiro da psicologia ocidental, William James, “a cada momento, aquilo em que prestamos atenção é a realidade”. O que será que compõe a nossa realidade hoje? Como a desatenção afeta a nossa mente e as nossas relações?

Equilíbrio Cognitivo – a inteligência desenvolvida aqui é a de perceber da forma mais clara possível o que a realidade está nos apresentando. Será que vemos as pessoas e as situações, momento a momento, de forma clara, ou estamos sempre vendo apenas as nossas versões sobre a realidade?

Equilíbrio Afetivo – nosso bem-estar é diretamente influenciado pela qualidade das nossas relações e vice-versa. Que elementos do nosso mundo interno interferem na qualidade das nossas relações? Como podemos escolher melhor o olhar que ofereceremos ao outro?

A Oficina CEB será oferecida em um total de 10 horas, no final de semana, onde exploraremos os elementos fundamentais do Programa, suficientes para começar a aplicar práticas e ferramentas na vida diária.

Você pode encontrar mais informações sobre como o CEB aqui.

 

Quando, onde e como se inscrever.

Palestra
20/maio – 19h30 às 21h30
Não é necessário fazer inscrição.
Contribuição sugerida: R$ 30,00
Local – CEBB Recife | Sala Encruzilhada – Rua Marechal Deodoro, 283 – Encruzilhada

Oficina
21/maio – 9h00 às 18h00; 22/maio – 9h00 às 12h30
Valor : R$ 180,00
Local – CEBB Recife | Sala Encruzilhada – Rua Marechal Deodoro, 283 – Encruzilhada

Faça sua inscrição para a Oficina neste link.
As vagas são limitadas. Por favor faça o pagamento por meio de transferência bancária de o menos 50% do valor e tenha em mãos o número da transação.
Dados para transferência bancária:
Jeanne Ruggiero Pilli
CPF 112.680.718-46
Bradesco – Ag 0516 cc 0208052-4

 

Quem é a instrutora?

Jeanne Trad

Na semana passada, no post O bem-estar é uma habilidade que pode ser treinada, fiz uma promessa: traduzir a fala de Sua Santidade o Dalai Lama quando o vídeo fosse disponibilizado. Imediatamente meu amigo querido Gustavo Gitti me enviou o link e, agora, estou cumprindo a promessa, com a ajuda luxuosa da minha maior parceira, minha irmã, Audrey Ruggiero Pilli. Meu desejo mesmo era legendar o vídeo, mas ele está protegido por direitos autorais, infelizmente.

Mas aqui está a transcrição completa dessa fala sensacional de Sua Santidade o Dalai Lama, no evento organizado pela Universidade de Wisconsin, especialmente por Richard Davidson, diretor do Center For Healthy Minds.

A participação do Dalai Lama no encontro “The World We Make – Well Being in 2030“, começa após uma pergunta de Soma Stout, Executiva do “Institute for Healthcare Improvement” relacionada a equidade:

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“Como é possível sermos felizes se todos os seres não forem felizes?”

E segue então a fala do Dalai Lama, na íntegra:

“Primeiramente o que eu sempre digo para as pessoas é que nós somos animais sociais. Nós precisamos desse senso de comunidade, de interdependência, biologicamente, por uma questão de sobrevivência. Mas às vezes eu acho que o autocentramento, esse senso de “eu, eu, eu” se torna dominante. Mas basicamente, nós como indivíduos, nossa vida, dependem do senso de comunidade, depende de todos os outros seres. No passado, as pessoas eram mais ou menos autossuficientes como, por exemplo, os nativos americanos. Eles não precisavam interagir com os outros continentes. Mas hoje em dia a situação não é a mesma – existe hoje uma forte interdependência. Especialmente a economia é fortemente interdependente. Até mesmo a questão ambiental está nos dizendo que nós, seres humanos, deveríamos trabalhar juntos – como uma família, como uma unidade. É isso que a questão climática está nos dizendo. Então o senso de comunidade, o senso de sermos animais sociais, neste momento é muito relevante. Biologicamente nós temos potencial pra isso, mas a chave é a educação. A educação pode nos trazer mais consciência disso, dessa realidade.”

Aí então o Dalai Lama pega um boné que ele ganhou do Richard Davidson onde está escrito: “Mude sua mente, mude o mundo” e ele diz:

“Isso é muito bom. Nesse caso o mundo pode significar a combinação de todos os seres humanos. Primeiramente, então, essa mudança deveria começar no âmbito individual, mas se a mudança não acontecer nos indivíduos, se não houver um esforço, a mudança que se espera no mundo não vai acontecer. Isso é uma séria ignorância da causalidade, da lei da causalidade. A humanidade é uma combinação de indivíduos e, portanto a mudança precisa começar por cada indivíduo.

Eu sempre reflito assim quando penso em um problema. Quando eu penso em um problema imenso, eu penso então que mais seriamente, mais realisticamente, cada indivíduo precisa fazer um esforço. Se uma pessoa decide fazer algum esforço em direção da solução do problema, o esforço desse indivíduo pode impactar outro indivíduo e então cem pessoas, mil pessoas, cem mil pessoas, dez milhões de pessoas. É assim que a mudança acontece. E novamente eu acho que a chave é a consciência.

Eu acho que a forma de pensar, a forma de viver de muitos de nós, não é realista. Existe uma lacuna enorme entre a nossa percepção e a realidade como ela é. A educação precisa fazer essa aproximação – entre a nossa percepção e a realidade. Mas a educação hoje em dia apenas fala, pensa em valores externos. Os valores internos são quase que completamente negligenciados. Eu também posso dizer que existe uma ignorância com respeito ao nosso mundo interno. E assim a gente acaba não prestando atenção, achando que o mundo interno é do jeito que é. Não há como mudá-lo sem ser por meio da conscientização ou por meio da educação. Mas é preciso começar a mudar, começar a mostrar que há uma possibilidade de mudar, até mesmo do ponto de vista biológico, no cérebro. Isso pode trazer um imenso beneficio pra saúde. Então nossa mente pode se tornar mais pacífica. Não uma paz como um tipo de entorpecimento, de torpor, mas uma paz completamente consciente, alerta aos riscos e a todas as coisas. E assim a inteligência combinada com uma força interna, combinada a uma autoconfiança baseada na verdade, e isso combinado a um coração compassivo, nos permite olhar para os outros como irmãos e irmãs. Nós precisamos viver em conjunto; o seu futuro depende do futuro do outro, o futuro do outro também depende do seu futuro, em alguma medida.

A felicidade humana é um objetivo comum, é um interesse comum, mas é claro que nós somos egoístas. O egoísmo é chave para sobrevivência. Sem o egoísmo não é possível sobreviver. Então o egoísmo é bom. Mas há muitos anos eu venho dizendo que o egoísmo precisa ser um egoísmo esperto, inteligente, sábio ao invés de um egoísmo tolo. O problema é que o egoísmo tolo é assim: isso é meu, meu, meu, meu, e para eu ganhar alguma coisa para mim, para eu conseguir alguma coisa, eu penso “como que eu posso explorar essa pessoa aqui, aquela outra…”. Esse é o egoísmo tolo. Mas a sua felicidade, o seu bem estar na vida depende dos outros seres humanos. Então cuidar, compartilhar de uma forma sincera, traz honestidade, traz verdade e daí você pode viver de uma forma transparente, o que traz confiança e o que traz amizade. Nós precisamos de amigos.

Então é simples! Eu não estou falando de uma vida futura. Sua vida futura é problema seu, mas o bem estar de sete bilhões de pessoas é uma responsabilidade comum. E a educação tem um papel fundamental. Para que nós possamos abordar um problema, nós precisamos olhar de vários ângulos diferentes. A partir de um único ponto de vista, de uma única dimensão não é possível observar o problema de forma plena. Nós temos que olhar de vários ângulos diferentes. Nós temos que conhecer o quadro inteiro da realidade senão o seu esforço se torna não realista. Então a consciência é um fator fundamental, é um fator chave. O que nós podemos dizer é que grande parte dos problemas que nós estamos enfrentando se devem à falta de consciência sobre a realidade. Eu penso assim.”

E então o Dalai Lama pergunta para a Soma Stout:

“E aí? Você gostaria de debater?”

Soma Stout responde:

“Eu jamais argumentaria com o senhor, Sua Santidade. Eu sei que o senhor é um grande debatedor com muitos anos de experiência.”

Dan Haris, o apresentador do debate faz uma pergunta que poderia ser resumida assim:

“Existe uma onda de prática de meditação e essas práticas, embora sejam cada vez mais populares, elas também são acusadas de ser um budismo disfarçado e de ser sectárias. Então uma vez que essas práticas de fato derivam do budismo, como é que elas poderiam não ser consideradas sectárias?”

                      A resposta do Dalai Lama:

“Eu entendo que todas as religiões são religiões de seres humanos, não de deuses ou de anjos, são religiões de seres humanos e eu entendo que todas as religiões enfatizam e dão importância ao amor. As religiões ensinam práticas de tolerância, de generosidade, de abandonar o egoísmo, todas elas reconhecem que nós temos negatividades e que há emoções que são destrutivas. E pra trazer felicidade para o indivíduo é preciso entender que a fonte verdadeira e absoluta da felicidade é o amor. E assim todas as religiões que eu conheço usam método de promover os valores básicos dos indivíduos. E para fazer isso, então elas utilizam métodos diferentes, formas diferentes de visão como Deus, o criador e diferentes conceitos e diferentes abordagens, mas o objetivo é o mesmo. Nós estamos falando a respeito da humanidade. Então, é possível que dentre os sete bilhões de pessoas, um bilhão de pessoas que não tem nenhuma religião, mas eles também são irmãos e irmãs. Nós também temos que nos concentrar com seriedade no bem estar dessas pessoas. Então o método precisa incluir esses valores internos. Eu acho que se nós usarmos a palavra meditação eles podem pensar que esse é um método religioso. É bem compreensível. Então eu simplesmente diria consciência. Consciência de uma realidade mais profunda. E então treinamento da mente. Eu realmente acho que meditação, Vipashyana, Shamatha, o objetivo dessas práticas é conduzir ao Nirvana. São objetivos para além desta vida. Mas o nosso assunto aqui é como criar mais felicidade nesta mesma vida e a felicidade tem muita relação com a mente, não apenas com o corpo físico que pode representar dificuldades, mas é preciso que a mente esteja muito pacífica, muito feliz.

Eu sempre comento que uma vez conheci na Espanha um monge católico. Ele passou cinco anos num eremitério nas montanhas, vivendo como um ermitão. Poucas refeições quentes, só pão e chá. Quando o encontrei então eu perguntei: “eu soube que você passou cinco anos na montanha levando uma vida de ermitão, sem nenhuma modernidade. Que tipo de prática você fazia?” e ele respondeu: “meditava sobre o amor”. Quando ele me respondeu isso eu notei alguma coisa especial no olhar dele. Então isso é muito significativo.

Eu também conheci um monge tibetano que passou 18 anos (ou mais) numa prisão chinesa. Ele passou por muitas dificuldades. Nos anos 80 ele teve uma permissão dos chineses para ir pra Índia e, como nós nos conhecíamos, tivemos um encontro informal. Então ele comentou que durante esses 18 anos algumas ocasiões ele realmente enfrentou um perigo e eu pensei bom talvez tenha sido um perigo da própria vida, e eu perguntei: “mas que tipo de perigo?” e ele respondeu: “o perigo de perder a compaixão pelos perpetradores, pelos guardas da polícia chinesa”. Ele considerava a prática da compaixão muito, muito importante. Então perder isso, pra ele, era realmente um perigo muito grave. Eu acho que hoje em dia ele tem 98 anos ou algo assim. Então ele tem algumas dificuldades físicas, mas ele está sempre sorrindo. É uma pessoa muito, muito feliz. Eu acho que se naqueles momentos ele tivesse perdido a compaixão, ele não estaria vivo à esta altura, porque ele teria sofrido mais frustração, mais raiva. Esses são exemplos vivos! Então, não faz diferença se são budistas ou se são cristãos.

Da mesma forma alguns amigos meus que são muçulmanos são profunda e verdadeiramente dedicados. Eles me dizem que o praticante verdadeiro do Islã deve sentir amor por todas as criaturas, por toda criação de Alah. Isso é maravilhoso. O problema é que nós não praticamos de forma muito séria essas coisas, inclusive os budistas tibetanos. Algumas vezes eles se perdem na política dos lamas, mas a gente deveria acrescentar essa palavra no dicionário “política dos lamas”. Então eles se preocupam com nomes, com números de seguidores, um monte de competição. As pessoas supostamente são praticantes, mas não são sérios o suficiente, sinceros o suficiente. Então ainda há espaço para algumas emoções negativas. Eu acho que os seguidores e os praticantes de todas as tradições deveriam ser sérios com respeito a prática e aí todos teriam potencial equivalente.

Então eu acho que a própria palavra “meditação” tem uma conexão muito grande com a tradição indiana antiga. Me disseram que nas ilhas gregas eles ainda praticam a meditação, numa tradição cristã antiga, mas ainda assim eu acho que essa palavra “meditação” vem da tradição indiana antiga. Então talvez seja melhor usar a palavra consciência ou prestar mais atenção, ou treinamento da mente, algo assim.”

Dan Haris pergunta então qual seria a melhor idade para começar a aprender meditação. E o Dalai Lama responde:

“Claro que as crianças são seres humanos e o sete bilhões de seres humanos nascem com o mesmo potencial. Nós precisamos nutrir isso socialmente, demonstrando um amor, um afeto incondicional, demonstrando um amor incondicional pra criança. Eu sempre digo para as pessoas, compartilho as experiências que eu escutei dos estudiosos. A proximidade da mãe, o toque da mãe com a criança é essencial… passar mais tempo com a criança. A amamentação é igualmente essencial. Eu acho que essa é a forma de verdadeiramente nutrir essa natureza humana básica, essa qualidade bondosa humana básica, essa qualidade biologicamente básica e aí por fim a educação precisa incluir os valores internos, baseando-se estritamente nos achados científicos, nos dados de pesquisas cientificas e não nas filosofias e nos livros antigos, nas escrituras. Eu acho que durante a minha vida vai ser difícil de ver isso acontecendo, mas na geração dos seus filhos, essa é uma possibilidade real – ver um mundo melhor, mais compassivo, mais pacífico, por meio da paz interna.

Sem paz interna é impossível criar paz no mundo. A paz no mundo não vai ser alcançada por meio das armas, pela raiva, pelo ódio, pela falta de confiança. A paz no mundo só pode ser alcançada por meio da bondade amorosa, pelo respeito à vida das outras pessoas – cada um se preocupando seriamente com o bem estar do outro com base nessa noção de uma única humanidade, de sete bilhões de pessoas. Eu acho que isso é algo realista.

                     A ultima pergunta feita pela platéia para o Dalai Lama é como lidar com pessoas como as do ISIS que matam pessoas de uma forma  selvagem, fazem ataques violentos, como lidar com essas pessoas? Uma outra pergunta associada é “você considera que algum caso em que a violência possa ser justificada ou legitima”?

                     E a resposta do Dalai Lama: 

Essa é realmente uma pergunta bem difícil. Eu entendo que respostas duras, ásperas, partindo da compaixão, partindo da preocupação com o outro, algumas vezes são possíveis, mas eu acho que é sempre melhor evitar a violência. Porque a violência, uma vez iniciada, independente de ser por uma boa motivação ou não, ela acaba gerando mais violência. Ela facilmente sai do controle. Então é sempre melhor evitar a violência. A melhor forma é sempre o diálogo, a conversa.

Esses seres do ISIS, esses terroristas, eles são seres humanos e eles também têm dentro de si a semente da compaixão. Então, em respeito a essa semente, é preciso dialogar. Eu sempre digo que precisamos fazer do século XXI o século da paz, sendo que paz não significa que não haverá nenhum potencial de conflito. O potencial para o conflito vai estar sempre presente e então, frente qualquer potencial de conflito, é preciso estabelecer o diálogo. Portanto, o século XXI deve ser o século do diálogo. Esse é o único jeito.

Na minha vida, eu testemunhei a segunda guerra mundial, a guerra civil da China, a guerra na Coreia e, com 81 anos, ainda vejo muita violência, muito conflito. Eu acho que se isso continuar, esse século vai continuar sendo um século de derramamento de sangue. Por isso que nós precisamos fazer o esforço para fazer com que esse século seja o século da paz. Este século precisa ser o século da paz, precisa ser o século da não violência, por meio do esforço e não de orações. Acho que há mais de mil anos os meus irmãos e irmãs tibetanos rezam, rezam, rezam, mas eu acho que os resultados dessas preces não chegaram.

Eu sempre brinco que se nós encontrássemos com Jesus Cristo ou com Buda e se olhássemos pra eles e disséssemos: “por favor tragam paz para o mundo”, eles nos responderiam: “quem foi que criou esse problema?” Se Deus tivesse criado esse problema então poderíamos chegar para Ele e pedir “por favor traga paz pro mundo”. Mas nós é que começamos esse problema, então nós é que temos a responsabilidade de resolvê-los. Nós precisamos fazer esse esforço. com uma motivação sincera, séria e com uma clara compreensão da realidade sobre consequências a longo prazo e a curto prazo e além disso, com orações. Eu acho que isso é realista.”

                     Muitos e muitos e muitos aplausos!